segunda-feira, 20 de agosto de 2018


A Cruz Sagrada seja a nossa luz, 
não seja o dragão o nosso guia. 
Retira-te, satanás! 
Nunca nos aconselhes coisas vãs. 
É mau o que tu nos ofereces, 
bebe tu mesmo os teus venenos!

São Bento nos cuide.
Deus nos proteja de todos os maus e males.
O Sagrado Coração de Maria nos abençoe.
São Miguel Arcanjo nos guarde e nos olhe.
AMÉM.

DEUS É MAIS E MAIOR!

- TEATRO -

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De 30 de Agosto a 02 de Setembro

Horários: 19 e 21 horas
Local: Centro Cultural Hermes de Paula

Entrada franca 
( Retirada de convite nos patrocinadores )

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

- Reflexão -

"(...) Não perca seu tempo se defendendo, nem tentando provar nada a ninguém. Sua consciência é seu mestre e seu guia. Só Deus sabe das suas intenções, da sua bondade e dos seus defeitos. O que importa de verdade é o que você pensa e sabe de si mesmo (...)"
  - Chico Xavier -

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

- Crônica -

Catopês ou Congado: Resistência, Tradição e Fé -
 por Raquel Mendonça*
                          

Os Grupos de Catopês ou Congado, os Dançantes das Festas de Agosto de Montes Claros, maior e mais importante manifestação cultural popular e tradicional do município, com 179 anos de existência e resistência, contam com o 1° Grupo de Catopês de Nossa Senhora do Rosário, com cerca de 70 a 80 integrantes, chefiado por João Pimenta dos Santos, o Mestre Zanza, Coordenador das Festas de Agosto e Presidente da Associação dos Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros, Bairro Morrinhos, onde reside o Mestre, hoje com 86 anos de idade, tendo começado nas Festas como "Catopê de Colo" ou "Príncipe Catopê", com um ano de idade e, aos quatro anos, já era catopezinho de fila. 


Esta Jornalista com "Mestre Zanza"                Foto: Manoel Feitas

Aos dezesseis para dezessete anos, passou a chefiar o Grupo de Catopês de Nossa Senhora do Rosário, recebido do pai, João Pacífico Pimenta Santos, que, por sua vez, o recebeu de seu avô, Pacífico Pimenta, que foi escravo, em fazenda onde fica hoje o Bairro João Botelho e adjacências; 2° Grupo de Catopês de Nossa Senhora do Rosário, com cerca de 60 integrantes das comunidades dos Bairros Vila Anália e Camilo Prates, que tem à frente neste ano neto do grande e saudoso João Batista Faria, Yuri Faria, com o Mestre João Faria, falecido em 10 de janeiro de 2017, tendo assumido o 2º Grupo de Catopês em 1969, ele que se auto denominava "Carroceiro de Profissão e Catopê de devoção", um dos mais legítimos e extraordinários Catopês da história das Festas na cidade e, antes dele, vieram o Mestre Seu Francisco de Jura (Procurador - cargo desaparecido - Mestre Martim Biscoiteiro) e o Mestre Sebastião Gama, Procurador Zé Aristides, assim como o Grupo de Catopês de São Benedito, com cerca de 50 integrantes, das comunidades dos Bairros Renascença, Clarice Athayde e Alterosa II, conduzido pelo Mestre Wanderley, com apoio da primeira Contra Mestra dos Catopês, Vera Lúcia, filhos do também grande e saudoso Mestre Zé Expedito (José Expedito Cardoso do Nascimento), que começou nas Festas de Agosto aos oito anos de idade, em 1952, tendo sido "Catopê de Fila" por trinta anos, até assumir o Grupo de Catopês, em 1982. Antes dele, lembrava sempre os Mestres Ezequias, Manoel de Custodinha (este famoso por seus feitos nas Festas) e o Mestre Orlando...

O Catopê é o mesmo zumbi ou congada de outros lugares, com belas e ricas características regionais, cujo capacete, espécie de cilindro oco de papelão, nas dimensões da cabeça, enfeitado com penas de pavão, espelhos, aljôfar e fitas coloridas, não mais somente reservado aos chefes, mas a todos os componentes dos três grupos, autorizados por Mestre Zanza, é o "símbolo das Festas de Agosto de Montes Claros"!... Daí as saias de fitas coloridas de Tnt usadas para decorar as ruas e avenidas por onde passam, no trajeto anual...

Segundo o extraordinário Historiador, Folclorista, ferrenho defensor da identidade cultural do município, que tanto lutou e contribuiu para a preservação de todo o patrimônio histórico, artístico e cultural de Montes Claros, apoiador apaixonado das belas e únicas Festas de Agosto, Hermes Augusto de Paula, em seu lido e pesquisado livro "Montes Claros, sua História, sua Gente, seus Costumes", foi esta a origem das nossas tradicionais Festas: "a mais antiga notícia sobre as Festas data de 1839, quando Marcelino Alves pediu licença para tirar esmolas para as festas inicialmente de Nossa Senhora do Rosário e do Divino Espírito Santo, que pretendia fazer nesta freguesia e, quando se comemorou a coroação de Dom Pedro II, em 8 de setembro de 1841, foram permitidos oficialmente vários divertimentos durante três dias: Catopês, Cavalhadas, Volantins e quaisquer outros divertimentos que não ofendam a moral pública", o que houve.

Da mesma origem, portanto, dos Congados, Moçambiques, Zumbi e similares de outras regiões, o nosso Catopê, por ter ficado isolado de seus irmãos, foram adquirindo com o tempo características próprias, a começar pelo próprio nome, Catopês, que seria o nome da dança ou do ritmo, como o batuque.. É preciso destacar, no entanto, que, desde 2008, os Congados ou Congadeiros de Minas, incluídos os Grupos de Catopês de Montes Claros, estão em processo de "Registro como Bem Cultural Imaterial do Brasil", na Superintendência do Imaterial (Corina Moreira) no IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com as Festas de Agosto tendo chegado muito perto de ser registradas como "Bem Cultural Imaterial de Minas", pelo IEPHA/MG - Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, com apoio de Fabiano de Paula.

Vale ainda destacar que os negros, quando escravizados, trouxeram consigo as suas crenças e ricas tradições, continuando a homenagear seus reis e cultuar seus deuses. Um desses reis foi o famoso "Chico Rei", escravo na região de Ouro Preto, mas que era príncipe em sua tribo africana. Aqui, os seus súditos e companheiros de escravidão o fizeram rei e, de acordo com a tradição, ele comandava as festas de culto a seus deuses. Chico Rei tornou-se célebre por ter juntado aos poucos ouro em pó que trazia das minas misturado aos cabelos, conseguindo com isso comprar a sua própria liberdade. Uma vez homem livre, pagou ainda pela liberdade de vários de seus companheiros de infortúnio. Na falta de um rei verdadeiro, elegiam alguém, entre eles, para que os representasse e, assim, faziam o seu cerimonial. Como aconteceu com a macumba, o candomblé e a umbanda, os negros relacionaram os seus deuses aos santos da Igreja Católica, como parte importante do catolicismo popular, e passaram a cultuar, com devoção, e festejar Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e o Divino Espírito Santo...

As Festas de Agosto são, assim, em honra ou homenagem a Nossa Senhora do Rosário, santa protetora dos negros; São Benedito, santo negro e ao Divino Espírito Santo, para saudá-los! A devoção ao Divino está associada aos Marujos ou Marujada, com a 1ª Marujada de Montes Claros chefiada pelo Mestre Tim (Iderielton), filho do igualmente grande e saudoso Mestre Nenzinho (José Calixto da Cruz); a 2ª Marujada de Montes Claros chefiada pelo Mestre Zé Hermínio, que substituiu o Mestre Tone Cachoeira, já no céu como uma estrela, e o Grupo de Caboclinhos ou Caboclada chefiado pela Cacicona Socorro, filha do muito querido e inesquecível Mestre Joaquim Poló!...       
        
 Os componentes dos grupos são, em sua origem e maioria, adultos e crianças negros, pois os catopês representam os africanos. No início, aqui em Montes Claros os grupos eram compostos apenas por negros, mas, hoje em dia, não existe mais essa exclusividade, ao contrário do que acontece em outras cidades, como Minas Novas, por exemplo, onde existem duas congregações, a dos Homens Negros e a dos Homens Brancos. Com o tempo, aos negros se juntaram outras raças, havendo há décadas muitos catopês de cores distintas... No passado, eram os grupos formados somente por homens, mas, há alguns anos, através inicialmente do Mestre Zé Expedito, com ele as chamando de "catopéias", é permitida também a participação de mulheres nos três grupos.

Os Catopês ou Congado são, na verdade, os "donos das Festas de Agosto", pois eles têm por obrigação organizar e acompanhar os "reinados" - reminiscência das Festas de Chico Rei em Ouro Preto. Há os Reinados de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e o Império do Divino!...
Um detalhe diferencia o nosso Catopê dos Congados de outras cidades. Nos congados, o rei e a rainha são sempre negros e adultos, pessoas ligadas diretamente aos ternos. Em Montes Claros, são sempre crianças, no máximo pré adolescentes, independente da raça ou cor, filhos de famílias que se oferecem - antes sorteadas - para realizar os Reinados e Império, geralmente em cumprimento de promessa ou graças à imensa paixão nutrida pelas Festas!...           
             
Nos seis grupos que compõem as Festas de Agosto de Montes Claros estão representadas, na verdade, as três raças que originaram o povo brasileiro. Os Catopês são de origem africana. Os Marujos são de origem européia, que narram e exaltam os feitos e as aventuras dos marinheiros portugueses ou descobridores, nas danças e tradições portuguesas trazidas em alto mar por marinheiros, assim como os princípios cristãos da religião católica. Os Caboclinhos ou Caboclada são os nossos índios ou folgança de reminiscência indígena. Portanto, congadeiros de fato - e de direito - são os nossos Catopês!...          

Diante de tantas dificuldades - muitas vezes distorções, desinformação - é preciso muita fé para seguir em frente, com Mestre Zanza dizendo sempre: "Somos devotos de Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e do Divino Espírito Santo!... As Festas de Agosto de Montes Claros, parte importante do catolicismo popular da cidade, têm o seu ponto alto na Capela ou Igrejinha do Rosário, também batizada de "Igrejinha dos Catopês", na Praça Portugal, construída pelos próprios catopês, com Mestre Zanza à frente das obras, hoje presentes no levantamento dos mastros, nas missas, bênçãos e demais celebrações no templo por eles edificado! E, no domingo, na praça e sede da Associação dos Catopês, acontece o "Encontro Mineiro de Ternos de Congado", com a participação de muitos congadeiros da região, do estado, com destaque para os "Arturos" de Contagem, que sempre fizeram grande sucesso na cidade!...

É a tradição que resiste aos tempos modernos, são os Catopês ou Congado dizendo ou cantando, alto e bom som, em adoração a Nossa Senhora do Rosário, a São Benedito e ao Divino Espírito Santo: "Deus te salve, Casa Santa/ Onde Deus fez a morada/ Onde mora o Cálix Bento/E a hóstia consagrada"! É a fé de um povo simples e sábio falando mais alto e mais bonito do que qualquer forma de imitação, "con-fusão" ou manipulação! Porque para ter o imenso valor cultural de um Catopê tem de ser legítimo, autêntico, sob todos os aspectos: grande por dentro, inteiro por fora ou nas Festas começar e crescer!...

Lembrando o Padre João Batista Lopes, o chamado "Padre dos Catopês": Viva Nossa Senhora do Rosário! Viva São Benedito! Viva o Divino Espírito Santo! E viva o povo que tem fé, porque a fé tudo sustenta e ampara!...

E que os Catopês ou Congado nunca desistam de ser o que são, de fazer o que fazem, de resistir, sempre, por mais pedras, incompreensões, desinformações e espinhos plantados ou encontrados no meio do caminho; fortes na fé, na luta, na batalha diária - reformando ou fazendo roupas, uniformes, vestimentas, acessórios, instrumentos musicais o ano inteiro, sem parar, sempre a faltar dinheiro, mas nunca determinação, invencíveis que são eles na devoção!... 
                                                       
                                                       Viva!... Viva e mais Vivas!...


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

- ORAÇÃO -

SÃO JORGE


Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge

Para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem,

Tendo mãos não me peguem,

Tendo olhos não me vejam,

E nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão,

Facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar,

Cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, Me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça,

Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino,

Protegendo-me em todas as minhas dores e aflições,

E Deus, com sua divina misericórdia e grande poder,

Seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus,

Estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas,

Defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza,

E que debaixo das patas de seu fiel ginete

Meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.

Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós.

Amém!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

FESTAS DE AGOSTO DE MONTES CLAROS

Pelos olhos, 
delicadas mãos 
e coração de 
Maria de Lourdes...


Viva Nossa Senhora do Rosário!
Viva São Benedito!
Viva o Divino Espirito Santo!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

- CULTURA -

Programação:

179ª FESTAS DE AGOSTO DE 

MONTES CLAROS

 E 40º FESTIVAL FOLCLÓRICO 


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Com 179 anos de história, as Festas de Agosto são a mais importante manifestação da cultura popular ou folclore - tão vasto, rico, denso e diversificado - de Montes Claros, reunindo três Grupos de Catopês ou Congado (1º Grupo de Catopês de Nossa Senhora do Rosário, chefiado pelo Mestre Zanza/João Pimenta dos Santos; 2º Grupo de Catopês de Nossa Senhora do Rosário, hoje chefiado pelo Mestre Yuri Faria, neto do Mestre João Batista Faria - o grande, extraordinário e saudoso Mestre João Faria - "lá no céu tem um castelo..." -, de forma mais que justa, bela, emocionante e merecidamente homenageado pelas Festas de Agosto de Montes Claros/2018, falecido em 10 de janeiro de 2018; e o Grupo de Catopês de São Benedito, chefiado pelo Mestre Wanderley, filho do também grande e saudoso Mestre Zé Expedito); dois grupos de Marujos ou Marujada (a 1ª Marujada de Montes Claros chefiada pelo Mestre Tim, filho de José Calixto da Cruz, o Mestre Nenzinho, também estrela no céu, e a 2ª Marujada de Montes Claros chefiada pelo Mestre Zé Hermínio, em substituição ao Mestre Tone Cachoeira, após o seu falecimento); e um grupo de Caboclinhos ou Caboclada, chefiado pela Cacicona Socorro, filha do saudoso Mestre Joaquim Poló, envolvendo cerca de seiscentos integrantes das mais diversas comunidades da cidade, em dias de Reinados (de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito) e de Império (do Divino Espírito Santo); de dança e cânticos conhecidos pelas ruas centrais da cidade, de levantamento de Mastros, missas, bênçãos e celebrações na Capela do Rosário ou Igrejinha dos Catopês, sob a coordenação da Associação dos Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros, presidida pelo Mestre Zanza, Coordenador das Festas de Agosto de Montes Claros, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura/Prefeitura de Montes Claros. Os grupos saem com seus instrumentos musicais - os catopês, marujos e caboclinhos têm vestimentas (os chamados uniformes) e instrumentos distintos, próprios de cada grupo -, com demonstrações de fé, devoção, tradição e religiosidade. 

RESPONSÁVEIS PELAS FESTAS DE AGOSTO DE MONTES CLAROS: João Pimenta dos Santos, Mestre Zanza; Mestre Yuri Faria, Mestre Wanderley, Mestre Tim (Iderielton), Mestre Zé Hermínio e a Cacicona Socorro; Mordomos ou Donos das Bandeiras de Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e do Divino Espírito Santo; Festeiros ou Festeiras dos Reinados de Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e do Império do Divino Espírito Santo...

Paralelamente às Festas de Agosto de Montes Claros, a Secretaria de Cultura/Prefeitura de Montes Claros realiza o 40º Festival Folclórico de Montes Claros, com programação musical e outras atrações mais em palco, além de barracas de comidas e bebidas típicas. No domingo, acontece na sede da Associação dos Grupos de Catopês o "Encontro Mineiro de Ternos de Congado" e, à tarde, a Procissão de Encerramento das Festas de Agosto, com os seis grupos de catopês, marujos e caboclinhos, grupos de congado convidados, junto aos Reinados de Nossa Senhora do Rosário, de São Benedito e Império do Divino Espírito Santo! Viva!... Palmas para os Catopês, que eles merecem!.

NO PERÍODO DE 15 A 19 DE AGOSTO/2018

Apoio às Festas de Agosto de Montes Claros/ Realização do Festival Folclórico de Montes Claros: 
Secretária Municipal de Cultura/Prefeitura de Montes Claros - (38) 2211.3300
DENUNCIE!

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

- Crônica -

República e Democracia -
 por Petrônio Braz*

Quando algumas vozes já se levantam, neste País, pondo em dúvida ser a República a melhor forma de governo, é bom ser lembrado que o Liberalismo, difundido pelas ideias de John Locke, um dos predecessores do Iluminismo, pugnou pelo estabelecimento de governos fundamentados no respeito ao direito natural do ser humano à vida, à liberdade e à propriedade, não se estabelecendo, daí, a imperiosa necessidade da escolha dos governantes pela via eletiva.

Verdade, que não pode ser esquecida, é que a sociedade humana não se mantém equilibrada sem um governo forte. Fôssemos idênticos às formigas ou às abelhas, cada um cumpriria a sua tarefa comunitária dentro de parâmetros unitários, sem abusos, sem corrupção. Mas não somos. E, porque não somos, necessitamos da presença de um governo que garanta o exercício dos princípios fundamentais à vida, à liberdade controlada e à propriedade. Digo liberdade controlada porque não se pode viver em sociedade, sem que haja um controle superior da própria liberdade.

Os conflitos sociais existentes no Mundo moderno são tidos como originários das lutas de classes apregoadas por Marx, todavia, tais conflitos não se estabelecem senão pelas diferenças existentes entre governantes e governados.

Os governos republicanos eleitos, muitas vezes são levados a desprezar o direito das minorias, desrespeitando os fundamentos maiores do próprio sistema que os elegeu. Se o ser humano precisa de um governo, o governo precisa ter meios de controle de seus possíveis abusos.

Thomas Hobbes, em seu “Leviatã”, analisou com objetividade as relações entre governo e sociedade esclarecendo que o homem vive em uma constante guerra de todos contra todos, mas todos desejam acabar com esse estado beligerante, instituindo controles pela via do governo ou de um contrato social, mas esse governo deve ser estável e assegurar a paz e a defesa comum. Esse governo deve ser uma autoridade inquestionável e justa.

Observa João Luiz Mauad que “numa democracia ‘stricto sensu’, nada impede que 51% decidam escravizar os 49% restantes. Se à maioria é dado o poder de decidir sobre todas as coisas, se isto que os liberais chamam de direitos naturais não foram mantidos acima de qualquer outra lei objetiva, tudo é possível, e o poder não encontrará nenhuma barreira em sua marcha rumo à tirania”. Isto só se torna possível de acontecer pela carência de um poder superior, dotado de capacidade controladora.

Existem direitos naturais que antecedem à própria ordem estabelecida em uma sociedade organizada, e esses direitos não podem ser maculados, daí se questionar se a República é a melhor forma de governo. Em pouco mais de cem anos de República, no Brasil, tivemos trinta e cinco anos de ditadura, sem contarmos os quarenta anos irregulares, que antecederam a Revolução de 1930.

O único regime republicano estável, do Mundo moderno, ainda é o da América do Norte, e não pode servir de exemplo a nenhum outro. Países como o Japão, a Inglaterra, a Holanda, a Dinamarca, a Bélgica, a Espanha e a Noruega, entre inúmeros outros, são estáveis em sua estrutura governamental e se desenvolvem dentro dos conceitos maiores de respeito aos direitos naturais de cada cidadão que nele habita, sem adotarem o regime republicano de governo.

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