sexta-feira, 30 de novembro de 2018

FORMATURA

ENGENHARIA CIVIL:

SÁVIO SILVA E SOUZA -


O inteligente e querido jovem Sávio Silva e Souza, filho de Veralúcia (Verinha) da Silva Borém e Souza e de Paulo Divino Rodrigues de Souza, está vivendo um momento de conquista e vitória, formando-se em Engenharia Civil pelas Faculdades Integradas Pitágoras - FIPMoc.

Ontem, 29 de novembro de 2018, às 19h30, houve bela Missa na Paróquia Nossa Senhora Rosa Mística. Hoje, também às 19h30, haverá Sessão de Homenagens no Espaço OAB de Eventos e, amanhã, o Baile de Formatura.

Desejamos a Sávio o sonhado e merecido sucesso profissional e que o futuro lhe reserve muitas alegrias e realizações!!

Parabéns, Sávio!

Você merece!...

SÍNTESE BIOGRÁFICA DO GRANDE ESCRITOR E ADVOGADO –

Dr. Petrônio Braz


Petrônio Braz, filho do historiador Brasiliano Braz e de dona Maria Augusta Braz, é natural da cidade de São Francisco/MG e cidadão honorário dos municípios mineiros de Montes Claros, Pirapora, Coração de Jesus, Várzea da Palma, São Romão, Mirabela, Monte Azul, São João da Ponte, Fruta de Leite e Urucuia.

Além de advogado, é jurista, professor, agrimensor, romancista, articulista, poeta.

Ex-diretor do Departamento Jurídico da AMAMS - Associação dos Municípios da Área Mineira da SUDENE.

Membro do Conselho Municipal de Cultura de Montes Claros/MG (2012/2015).

Fez apresentação, a convite da Academia Mineira de Letras, no auditório da Academia em Belo Horizonte, em 09 de novembro de 2016, do autor e do livro “Maira”, de Darcy Ribeiro, em solenidade comemorativa dos quarenta anos de lançamento da obra.(*)

Sua biografia está registrada no livro “UBE-40 Anos”, da União Brasileira de Escritores; na “Enciclopédia da Literatura Brasileira” organizada por Afrânio Coutinho, Volume I; no livro “Escritores de Brasília”, do acadêmico Napoleão Valadares e na Wikipédia, a enciclopédia livre.
Como jurista, é citado doutrinariamente por desembargadores do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraíba, Santa Catarina, Espirito Santo, Rio de Janeiro e em teses de mestrado e doutorado. Granjeou prestígio nacional por sua extensa obra no campo do Direito Municipal, além do seu grande legado em literatura.

Petrônio Braz fez o Curso Primário no Grupo Escolar “Coelho Neto”, em São Francisco/MG; o Curso Ginasial iniciado no Ginásio “São João”, em Januária/MG e concluído no “Instituto Padre Machado”, em Belo Horizonte/MG. Curso médio na Escola Superior de Agronomia, em Viçosa/MG e superior na Faculdade de Direito do Distrito Federal-UniCEUB, em Brasília-DF, tendo sido presidente da Comissão de Formatura e do Centro de Estudos Jurídicos da Faculdade. Extensão universitária no King’s College da Universidade de Londres/Inglaterra. Em viagem de estudos, visitou a França, Bélgica, Holanda, Egito, Israel e Grécia.

Membro do Conselho Diretor da Federação das Academias de Letras e Cultura de Minas Gerais, biênio 2011/2012 (Belo Horizonte).

É membro efetivo da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco (presidente); da Academia de Letras, Ciências e Artes de Várzea da Palma (presidente de honra) e da Academia Januarense de Letras. Ex-membro efetivo da Academia Montesclarense de Letras, da qual foi vice-presidente, em dois mandatos, por eleição, e dela se afastou por vontade própria.

Sócio da Associação Nacional de Escritores (Brasília/DF), da União Brasileira de Escritores (São Paulo) e da Sociedad de Escritores Latinoamericanos y Europeos (Itália). Padrinho do “Clube de Leitura-Ateliê Felicidade Patrocínio”, de Montes Claros/MG. Ex-sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (Belo Horizonte). Sócio emérito do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. Sócio honorário do Centro Acadêmico “Cyro dos Anjos” da Faculdade de Direito da Universidade Estadual de Montes Claros/UNIMONTES. Ex-Delegado da União Brasileira de Trovadores, em São Francisco/MG.

Rotariano, é sócio honorário do Rotary Clube Montes Claros-Liberdade.

Foi agraciado com a Medalha “Santos Dumont”, grau prata, outorgada pelo Governo do Estado de Minas Gerais, por indicação da Academia Mineira de Letras (2007); com a Medalha Comemorativa dos Cem Anos de Fundação da Academia Mineira de Letras (2009); com a Medalha de Honra “JK”, outorgada pelo Governo do Estado de Minas Gerais (2010); com a Medalha Cultural “Acadêmico Saul Martins.”, outorgada pela Academia de Letras “João Guimarães Rosa” da Polícia Militar de Minas Gerais/Belo Horizonte (2013); com a Medalha “Israel Pinheiro”, outorgada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (2009); com a Medalha “João Pinheiro”, outorgada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (2013) e com a Medalha “Mathias Cardoso.” outorgada pelo Movimento Catrumano de Minas Gerais (2009).

Homenagem em placa na Biblioteca Pública do Centro Cultural de Montes Claros/MG (2012).
Homenagem em placa pela Prefeitura Municipal de Chapada Gaúcha/MG (2011). Homenagem em placa pela Academia de Letras, Ciências e Artes de Várzea da Palma/MG (2008).

Nome de Expressão do Norte de Minas/1998, Montes Claros/MG; Personalidade do Ano/2000, Montes Claros/MG; Talento Regional, Salinas/MG (2002). Diploma de Benemérito das “Escolas Caio Martins.”, Belo Horizonte (1997); Diploma de Menção Honrosa pelo Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros (2011); Diploma de Homenagem pelo Rotary Clube Montes Claros-Liberdade (2011). Certificado de Benemerência pela Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição Família e Propriedade - TFP (1995). Diploma de Sócio Benemérito do Grupo Escolar “Mestra Hercília” de São Francisco/MG (1972). Personalidade do Ano - Categoria Cultura “Troféu Grupo Malobri.” - São Francisco/MG (2013).

Homenagem pela comemoração dos 160 anos de Montes Claros/MG: “Você faz a diferença” - Rotary Club Montes Claros-Liberdade (2017).

Prêmio “Astros e Estrelas 2012” (Montes Claros/MG). Destaque “Vip’s de Minas e Celebridades 2012” (Montes Claros/MG). Prêmio Projeção e Oscar de Minas, na categoria Homenagem Especial (Montes Claros/MG-2015). Diploma Honoris Causa em cultura popular brasileira, outorgado pela Associação Folclórica de São José do Alto Belo (2002). Prêmio “Justiça e Cidadania”, outorgado pelo Centro Acadêmico “Cyro dos Anjos.”, da Faculdade de Direito da UNIMONTES/Montes Claros/MG (2013). Prêmio Parnaso de Cultura/Montes Claros (2003/2014).

Jornalista. Troféu Imprensa 2017 (Montes Claros/MG). Fundou e dirigiu, em São Francisco/MG, os jornais “O São Francisco” (1952/54) e “Tribuna do Vale” (1981/84). Escreve semanalmente para os jornais de Montes Claros. Foi colaborador da Revista “Jurídica-Administração Municipal” de Salvador/BA e da “Revista dos Tribunais” de São Paulo/SP.

Foi professor e primeiro diretor do Ginásio “Joseph Hein” de Várzea da Palma/MG, onde lecionou História e Matemática (1964/1967); professor e vice-diretor da Escola Estadual “Quintino Vargas” de João Pinheiro/MG (1974/1975); instituidor do Ginásio Municipal de São Francisco (1955), hoje Escola Estadual Dona Alice Mendonça; fundador do curso normal em São Francisco/MG (1968) e diretor (1970/1972), hoje “Escola Estadual Brasiliano Braz”.
  
Prefeito Municipal de São Francisco (1954/1958), vereador à Câmara Municipal do mesmo Município em três legislaturas, sempre o mais votado (1950/1954), (1962) e (1970/1972), e Juiz de Paz do Distrito da Cidade, por eleição (1959/1961).

Seu livro “Serrano de Pilão Arcado - A saga de Antônio Dó” (romance-histórico) foi incluído como leitura obrigatória para os Vestibulares 2011/2012 da UNIMONTES-Universidade Estadual de Montes Claros e reverenciado pelo Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras, editado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE - 2º Volume (2009:76/79).

Primeiro lugar na Categoría Contos, no XIX Concurso Internacional Literário de Outono - Edições AG (Arnaldo Giraldo) - São Paulo - Brasil, com o conto “Manoel de Firmina”, publicado na antología “Em Busca da Sabedoria” da referida Editora.

Autor de treze obras jurídicas e oito literárias.

Bibliografia de Petrônio Braz:


1.    Jandaia em tempo de Seca (romance) - Brasilia/DF, 1979.

2.    O Universitário e o Momento Brasileiro - Brasilia/DF, 1979.

3.    Brasiliano Braz – A dimensão de um Homem - Brasilia/DF, 1980.

4.    Aguas Morenas (poesias) ­- Brasilia/DF, 1980.

5.    Direito Municipal na Constituição – Leme/SP, 1995

6.    O Agregado na Legislação Brasileira – Leme/SP, 1996.

7.    Processo Administrativo Disciplinar – Campinas/SP, 2002.

8.    Crimes Fiscais dos Prefeitos Municipais – Campinas/SP, 2003.

9.    O Servidor Público na Reforma Administrativa – Leme/SP, 2004.

10.  Eleições Municipais – Leme/SP, 2005.

11.  Serrano de Pilão Arcado (romance) – Leme/SP, 2006.

12.  Atos Administrativos – Leme/SP, 2008

13.  Processo de Licitação e Contratos Administrativos – Leme/SP, 2009.

14.  Manual de Direito Administrativo – Leme/SP, 2009.

15.  O Vereador – Atribuições, Direitos e Deveres – Campinas/SP, 2010.

16.  Manual do Assessor Jurídico do Município – Campinas/SP, 2010.

17.  Manual Prático de Administração Pública – Leme/SP, 2011.

18.  Tratado de Direito Municipal (5 vol.) – Leme/SP, 2013.

19.  Nos Quarenta Anos de “Maira” – Montes Claros/MG, 2018.

20.  Caleidoscópio – Montes Claros/MG, 2019.

21.  Léxico dos Gerais – Montes Claros/MG, 2019.

22.  Nas Asas do Tempo – Montes Claros/MG, 2019.

23.  Amélia Chaves– Uma Biografia – Inédito

24.  Pe. Adherbal Murta – Um educador – Inédito

25.  Raquel Mendonça – Uma Lutadora – Inédito


(*) Publicado na Revista da Academia Mineira de Letras, Vol. LXXVII, 2017, pág. 204.

- Artigo -

Análise de comportamento em Tutameia
 por Petrônio Braz*

Tenta-se aqui, palidamente, de uma análise psicoliterária das motivações de um conto da última obra do imortal Guimarães Rosa, o grande Viator, o criador de uma linguagem de laboratório, como quer Peregrino Júnior, “com a sábia utilização da extraordinária capacidade de conhecer idiomas que detinha, mas também na sua estrutura íntima de criador da estrutura da ficção brasileira”. Olhando, como disse Levy Carneiro, “o manto diáfano da fantasia, que ele viveu e escreveu com profundo sentimento de solidariedade humana”, ou “trabalhando a palavra até o sacrifício”, como afirmou Afonso Arinos, inovando sem destruir em absoluto contraste com Mário de Andrade.

Com Guimarães Rosa, o Brasil deixou de ser uma província cultural no sentido spengleriano como acertadamente sustenta Assis Brasil. Muito se tem de debruçar sobre a obra de Guimarães Rosa, como afirmou Austregésilo de Athayde no seu discurso de adeus ao imortal dos imortais, para “a percepção da genialidade que dele transluz, no vigor das intuições viris que perpassam por tantas páginas de SAGARANA a TUTAMEIA, com enigmas propostos à curiosidade e ciência das gerações”.

Não será só em TUTAMEIA, de Guimarães Rosa, nem em NOITE, de Érico Veríssimo, que os enigmas se apresentam vivos a exigir propostas à curiosidade e ciência das gerações. Apesar da crise por que passa a literatura brasileira, depois de Guimarães Rosa, muitas são as obras literárias dignas de lugar de destaque no conceito da geração presente.

Enquanto arte, a Literatura é pouco razão e muita fantasia, mas fantasia do imaginário em busca do real. É da divagação pura e simples que nasce a dinâmica da imaginação, onde o real e o imaginário convivem de forma convergente como fatores determinantes da criação literária. Dentro dessa conceituação genérica, toda literatura de ficção será uma psicoliteratura, sem que seja necessário extrair-se, da exegese do seu conteúdo, deduções freudianas. Da obra de Augusto dos Anjos escrever-se-ia um tratado psíquico-exegético e o fundo psicológico se assenta no acervo de Machado de Assis, voltado para a pessoa, tendo o espírito como condutor do comportamento humano. Todo texto literário, como quer Irene Sampaio, advém da dinâmica criadora, “que se instala na intimidade psíquica do autor”.

Qualquer leitor bem avisado pode adentrar através da observação introspectiva de um personagem, fruto da criação de um autor, explicações para seu comportamento e, através dele, do comportamento do próprio autor, sem necessidade de buscar em Descartes, Leibniz ou Spinoza o socorro da metafísica, colocando-se no absoluto para deduzir daí o comportamento humano.

Em toda obra literária, como quer Freud, está presente uma relação entre o autor e o seu próprio devaneio, pois a alma humana, dizia Leibniz, como produto desenvolvido de inúmeros elementos, “é o espelho do mundo”.

Das quarenta histórias de TUTAMEIA, destaquei Barra da Vaca para o presente trabalho, que ouso dar à luz da publicidade. Na primeira leitura de TUTAMEIA, preocupado com o enredo, escapou-me a percepção dos fatores de comportamento dos habitantes da vila de Barra da Vaca, ante a presença de Jeremoavo.

Sucedeu então vir o grande sujeito entrando no lugar, capiau de muito longínquo: tirado à arreata o cavalo raposo, que mancara, apontava de noroeste, pisando o arenoso. Seus bigodes ou a rustiquez – roupa parda, botinões de couro de anta, chapéu toda a aba – causavam riso e susto. Tomou fôlego, feito burro entesa orelhas, ao avistar um fiapo de povo mais a rua, imponente invenção humana. Tinha vergonha de frente e de perfil, todo mundo viu, devia também alentar internas desordens no espírito. Sem jeito de acabar de chegar, se escorou a uma porta, desusado forasteiro. Requeria, pagados, comida e pouso, com frases pálidas, se discerniu por nome Jeremoavo. Mesmo lá a Domenha, da pensão, o velho deu à aldrava. Desalongou-se, porém, e – de tal sorte que dos lados dobrava em losango as coxas e pernas de gafanhoto – se amoleceu, sem serenar os olhos.

Era, pela descrição, Jeremoavo (nome por ele colhido provavelmente em Euclides da Cunha: Jeremoabo) um indivíduo alto (sucedeu então vir o grande sujeito), de pernas longas (pernas de gafanhoto), de onde se pressupõe que possuísse, como componentes do corpo, braços longos. Pelas características descritas pelo autor-narrador e, segundo Kretschmer, dentro de sua teoria tipológica do comportamento humano, indicado ficou que era Jeremoavo taciturno e pouco comunicativo, de comportamento tímido e insociável, incluindo-se no tipo ectomorfo de Sheldon, de personalidade introvertida.

Protegido pela sugestão do prestígio ou da influência que um ou mais elementos exercem sobre o comportamento social, Jeremoavo foi sendo aceito pela comunidade.

Representando homem de bem e posses, quando por mais não fora, a ele razão era devida. Se’o Vanvães disse, determinou. Visitaramno.

A hipótese levantada de ser Jeremoavo um jagunço de Antônio Dó, nascida por acaso, de comentário indefinido, como estímulo ou impulso, promove uma agitação coletiva, excitando emoções variadas como fenômeno consciente e dinâmico dos motivos que, por seu turno, excita o surgimento de uma frustração social.

Sem donde se saber, teve-se aí sobre ele a notícia. Era bravo jagunço! Um famoso, perigoso. Alguém disse. Se estarreceu a Barra da Vaca, fria, ficada sem conselho. Somente alto e forte, seria um jerê, par de Antônio Dó, homem de peleja. Encolhido modorroso, agora, mas desfadigando podendo-se desmarcar, em qualquer repêlo, tufava. Se’o Vanvães disse a Seo Astórgio, que a Seô Abril, que a Seô Cordeiro, que a seu Cipuca: - “Que fazer!? - nessas novas ocasiões. Se assentou que, por ora mais o honrassem.

Uma excitação sobre outra desenvolvida conduz à fantasia coletiva da imaginação de ser Jeremoavo um jagunço bravo e famoso, conclusão que lhe dava a condição de homem perigoso. O prestígio, decorrente da hipótese, estabeleceu uma forçada facilitação social para sua permanência na Barra da Vaca, sob custódia.

Se’o Vanvães, dada a mão, levou-o a conhecer a Barra da Vaca – o rio era largo, defronte – povoação desguardada, no desbravio. Seo Astérgio convido-o. Estimou a boa respondência, por agrado e por respeito.

A frustração, como processo de interação, antecedeu à hostilidade, em um crescendo. Sua permanência provocava suspeita.

Não aluía dali, porque patrulho espião, que esperava bando de outros, para estrepolirem.

O estado psíquico, pela narrativa de flagrante, nasce com a própria naturalidade do conto, onde os estados mentais se multiplicam a cada instante. Aqui se confirma o conceito de emoção emitido por Woodworth, como um estado de agitação do organismo, nascido de um impulso consciente, que leva a uma atitude definida.

Sua permanência incomodava, mas continuava a receber obséquios, pois nada tinham conscientemente contra ele. Não existiam motivos reais, mas de forma inconsciente, e Freud afirmou que os motivos são quase sempre inconscientes, confabularam um modo de se livrarem dele.

E aquela aldeiazinha produziu uma ideia.

A hostilidade não levou a uma brutal agressão, mas a prevalência do comportamento social determinado por impulsões inativas, como quer McDougall, ou por reflexos prepotentes se ficarmos com Allport, definiu a supremacia do instinto de conservação sobre a razão. Em evidência “a primeira lei da natureza”, que levou à rejeição, um dos seis mais importantes reflexos prepotentes identificados por Allport, produzindo a inconformidade com a presença do intruso.

Negligenciada a consciência, como orientam os behavioristas, o comportamento dos habitantes de Barra da Vaca foi instintivo, por motivo inconsciente, conduzido pela necessidade coletiva de autodefesa.

Ocorre, então, como disse Afonso Arinos, “o frêmito coletivo e trágico da vida heroica”.

De pescaria, à rede, furupa, a festa, assaz cachaças, com honra o chamaram, enganaram-lhe o juízo. Jeremoavo, vai, foi. O rio era um sol de paraíso. Tão certo. Tão bêbado, depois, logo do outro lado o deixaram, debaixo de sombra. Tinham passado também, quietíssimo, o cavalo raposo.

Fazendo-o bêbado, inconsciente, transportaram-no para a margem oposta do rio, com esmerado cuidado, prenhe de precauções para evitar represálias. Deixaram-no protegido pela sombra de uma árvore qualquer, tendo ao lado o cavalo e seus pertences.

Lá, os homens todos, até o de dentro armados, três dias vigiaram, em cerca e trincheira! Voltasse, e não seria ele mais confuso hóspede, mas um diabo esperado, o matavam. Veio, não.

De hóspede, transformou-se Jeremoavo em intruso indesejável, à bala recebido se voltasse.

Vencidos os reflexos ou os impulsos inativos, foram chamados à realidade.

Dispersou-se o povo, pacífico. Se riam, uns dos outros, do medo geral do graúdo estúrdio Jeremoavo. Do qual ou da Domenha sincera caçoavam. Tinham graça e saudades dele.

Ausente o forasteiro, por uma percepção emotiva consciente do fato excitante, a expressão corporal do riso sucedeu à alegria.

- Crônica -

O INEXPLICADO
por Aristônio Canela*

 Quando ainda sob a luz de estrelas preguiçosas, o velho Mané Germano rompeu o orvalho nas folhas do valente brachiária amarelecido pela violência da seca do sertão norte mineiro para encontrar “Passo preto e Canáro”, bois de há muito na mesma canga, não estava preparado para viver tamanha decepção ao ver o último poço do São Lamberto agonizando em sua pequena propriedade. Jogou o chapéu para traz, cuspiu de lado, deu um longo suspiro e perguntou aos Santos o que fazer.

Padre Mariano, na missa do domingo passado, também se arvorou na mesma pergunta pedindo a todos mais orações e confianças reforçando a fé, analgésico único para dor tamanha, sem deixar de expor as chagas da irresponsabilidade de tantos na exploração corrosiva dos recursos naturais.

O rio tem sua nascente principal num olho d’água forte na comunidade de Palmital e faz suas deságuas no Jequitái, após curso curvoso, aconchegados na nossa região, pelo Santa Maria, Siriema, Riacho Fundo, Gamileiras, Traíras, todos amigos importantes para sua manutenção. Apesar dessa solidariedade, o punho impune do homem agride a natureza em Serra Velha, na manutenção de areeiras com cheiro de morte, esganando o curso d’água além da eliminação pecaminosa da mata ciliar, verdadeiro suicídio, para utilização absolutamente inadequada do solo.

A revolta da alma sertaneja chega nesses momentos a níveis escaldantes e, somente por temor a Deus, não se toma posições contundentes, vivenciando  a esperança inquebrantável do povo ribeirinho. Então, seu Mané Germano, chorando baixinho, deu de beber aos animais e, acocorado às margens das últimas gotas d’água, fugiu do mundo buscando o universo no seu “Pai Nosso” e somente retornou ao perceber o chamado do céu, no espocar de trovões, acompanhados de pingos intermitentes, grossos, cheios de alegrias, exímios lavadores dos pecados da humanidade.

Não demorou muito e o curso d’água cantava entre gargalhadas alucinadas de expectativas, uma música eivada de pura gratidão, na mágica do verde esperançoso, belíssimo, bailarino ao sabor dos ventos de boas vindas e a vida espalhou-se novamente pelas vazantes do São Lamberto. Nesses momentos, nossa tendência é nos atermos aos agradecimentos, olvidando as dores de feridas em processos de cicatrizações, o que de fato, é consolo, mas um erro. É preciso ser humilde sim, mas jamais esquecer as leis, guardiãs de sobrevivência.

Depois das primeiras chuvas, o Vale Lambertense renasceu em dias e noites repletas de certezas inundando corações de atitudes num devaneio entre homens terra e animais. O jeito alegre de ser espocava em cada canto, num mosaico de pura beleza e foi um dos motivos que levou o capitão Fabrício Mazarito Di Filiolli, de família Italiana, radicada há tempos no Sul de Minas, cultivando café, a comprar as terras de Ovídio Leão, confidente e amigo do Velho Mané Germano, já passado dos setenta, agora decidido a ir morar na cidade, sem a sua aprovação por ter, como dizia ele, “seu “imbigo interrado dessas banda”. Nada adiantou e a fazenda “Vinhático”, com seus oitenta alqueires de terra boa, muita benfeitoria e toda empastada, teve dono novo.

O capitão Di Filiolli, homem de fino trato, estatura mediana, cabelos lisos e a loirados penteados para o lado, olhos azuis de óculos branco com aros dourados, barba fechada e ruiva, sempre bem feita, sorriso meigo, gestos calmos e fala doce, era um apaixonado por Giuseppe Veerdi. Aos domingos, rotineiramente, inundava seus domínios com o som de Aida, La Traviata, Rigoletto, Óperas favoritas, difundidas por uma potente radiola “Philco”, novinha em folha, municiada por grandes baterias “Rayovak” para felicidade de seus ouvidos e sensibilidade de alma, mesmo sem ter ainda o privilégio da luz elétrica.

Sua esposa, Dona Honorinda Perpétua de Farias e Filiolli, de tipo físico aparentemente frágil e delicado avizinhava-se de um “bibelô” de porcelana chinesa nos mínimos detalhes de “boniteza”, criada certamente por mãos de artista inspirado, também se embriagava com a música do compositor romântico italiano. Nem por isso, deixava de mostrar sua liderança na administração da casa e educação da única filha, Giovanna Eduarda, na flor de seus dezoito anos, exímia nas artes dos bordados e pintura, mãos de deusa nos temperos, de fala fácil no português correto e leitora contumaz dos clássicos de Machado, Guimarães, Lima Barreto, Eça, Graciliano, José Lins do Rego, Aluísio de Azevedo, Joaquim Manoel de Macedo, José de Alencar, Bernardo Guimarães, além de ter convicções filosóficas voltadas para vida de Epicuro e seus ensinamentos, claramente uma intelectual cada vez mais sofisticada, morando nas barrancas do São Lamberto.

Tantos predicados alem do físico, atraíram olhares e desejos dos mais variados, incluindo aqueles do Doutor Ganimedes Santos de Carvalho, ilustre Jurisconsulto de Montes Claros, excêntrico e muito rico, famoso por suas contendas jurídicas e solteirice inveterada, cobiçado pelas moçoilas da sociedade, resistindo até agora, alvejado porem nos seus quarenta, bem no centro do coração  por aqueles dulcíssimos olhos claros, quando em ocasiões de algumas visitas resolvia questões advocatícias da fazenda Vinhático.

O motivo da parada da rural Willis verde e branca, com tração nas quatro rodas, último lançamento, na porta da casa grande, desta vez não tinha ligação com leis e códigos. Vinha oficialmente pedir ao capitão Di Filiolli, o direito de fazer a corte a sua filha, muito respeitosamente. O pedido foi aceito com orgulho dos pais e deixou o doutor advogado explodido em alegrias, acertando suas visitas para o último final de semana de cada mês.

O amor, de aljava repleta de setas em sua plena liberdade, não tinha medidas e acertou também o coração do jovem Antônio Henrique de Sá Villela, filho e único herdeiro de Bernardino Villela, homem de muitas posses da região, criador apurado da raça Nelore e, de laços estreitos com a família Di Filiolli.

À menina Giovanna Eduarda cabia a entrega de seu coração, fato respeitado pelos pais, apesar da torcida, discretamente, favorecer ao doutor Ganimedes.

Os dias foram passando e a decisão da pretendida cada vez mais ia amadurecendo, embalando seus sonhos na compra de itens para o enxoval, tudo muito bem demonstrado pelo simpático mascate Calisto Salviano de Jesus, o “Calistim Cheiroso”, moço de fala fácil, grande conhecedor da moda, sempre atualizado, cheirando a uma lavanda leve, de sorriso brejeiro, danado de bom fazedor de versos acompanhado de seu violão plangente mas, de beleza duvidosa, com seus nariz adunco, barba e bigodinho ralos, corpo franzino, óculos de tartaruga, cabelo ruivo parecendo um tantão de molinhas de relógios presos na cabeça achatada, sorriso frouxo de lábios finos e boca pequena, deixando salientar o canino lateral direito com uma obturação  de ouro. Tudo isso lhe fazia uma figura singular e querida, impulsionada por sua eterna alegria, montado em Rompe-Mundo, um burro ruão de viageiro fácil, seguido de Sereia e Safira, duas mulas de carga levando em suas “bruacas” as surpresas das novidades para os suspiros dos fregueses.

Pela terceira vez fazia a viagem atendendo aos pedidos de Giovanna Eduarda, hospedando-se na fazenda, tornando-se membro da rotina.

Na manhãzinha de domingo de céu “embruscado” para o gáudio de todos, o capitão e esposa, esperaram à mesa do café pela filha Giovanna e diante da demora,  dona Honorina resolveu verificar.

Ao retornar, descendo as escadas do segundo andar, trazia nas mãos um bilhete e no rosto uma palidez de morte. Em silêncio, o capitão leu sua própria sentença de lamúrias, destacadas na letra bonita da filha:

“PAPAI E MAMÃE, NÃO SEI SE POSSO PEDIR PERDÃO; MESMO ASSIM, PERDOEM-ME. O AMOR TEM RAZÕES ESTRANHAS SÓ ENTENDIDAS PELOS AMANTES.”

Nesse momento, Calistim Cheiroso e ela já iam há muito, dobrando a curva do além, na vivência de uma imensa paixão.

Membro da Academia Montes-Clarense de Letras*

- Crônica -

A Temer o que é de Temer
por Wagner Gomes*

Não é preciso ser nenhum cientista político ou econômico para reconhecer evidências no início de reconstrução do País. O furacão petista, elevado à categoria de tsunami, fez da economia e da política um imenso caos. O Governo Temer promoveu, sem tergiversações, o efetivo controle da inflação sem represamento de preços, com o consequente aumento do poder de compra da população mais pobre. O Brasil recuperou a credibilidade da política monetária ao sair da era dos dois dígitos do percentual inflacionário. Nas transações correntes, via balanço de pagamentos, reduziu os problemas antes apresentados, sem nunca ameaçar ou interromper, interna e externamente, a oferta de dólares. O déficit em transações correntes, que já rondou os 5% do PIB, encontra-se bem mais comportado. Temer minimizou o desastre fiscal pela diminuição da velocidade do crescimento da dívida pública e pelo abandono da desastrada matriz econômica do Governo Dilma. Nossa economia pode, assim, aguardar medidas propositivas do governo eleito recentemente, na esperança de que, em busca de soluções efetivas, transformações estruturais entrem no calendário político. A reforma de nossa caduca legislação trabalhista correspondeu a um extraordinário avanço para destravar um mercado, cuja principal característica era afugentar os investidores. Temer, também, emplacou uma agenda consensual de descarte dos penduricalhos que estão a comprometer nossos investimentos, especialmente por meio de concessões ou de privatizações, a começar pela Eletrobras. As estatais e as agências reguladoras, saqueadas e vilipendiadas, tiveram suas governanças aprimoradas pela gestão técnica. Até o crescimento do PIB voltou a ocorrer, embora em bases ínfimas. Ao mudar o foco na gestão da política externa, o atual presidente conseguiu desmontar o atrelamento gramsciniano, via Foro de São Paulo, às políticas danosas como as praticadas pela Argentina, anteriormente ao governo Macri, e pela Venezuela, até os dias atuais. Ainda assim Michel Temer segue acuado pelo slogan “Fora Temer" e cercado de suspeitas de práticas nocivas no trato com o dinheiro público e de relações incestuosas com o Congresso e com o mundo empresarial. Em breve, tão logo perca o seu foro privilegiado, e vier a ser processado, poderá engrossar aquela galeria de políticos que estão a entrar em nossa história pelo ralo.


sábado, 17 de novembro de 2018

- Crônica -

MARY LÉLIS HOMENAGEADA PELA AML 
por Raquel Mendonça*




Mary Tupinambá Lélis, a nossa muito querida e admirada Mary Lélis, uma das maiores e mais talentosas poetisas, cronistas e escritoras da cidade e região, nasceu em Brasília de Minas, onde iniciou a sua carreira no magistério, depois em Montes Claros, até ser designada para a 12ª Delegacia Regional de Ensino. Filha de Domingos Egydio de Lelis e Maria Natalina Silqueira, foi, finalmente e justa, merecidamente, homenageada pela Academia Montes-clarense de Letras/AML, no último dia 13 de novembro de 2018, às 20h00, na sala da Academia Montes-clarense de Letras, que fica no Centro Cultural Hermes de Paula e tem hoje na presidência o nome de Itamaury Teles. Ela recebeu, junto ao nosso também grande e muito querido colega acadêmico, Juvenal Caldeira Durães, o Sr. Juvenal Caldeira, a "Placa de Mérito Acadêmico Yvonne de Oliveira Silveira", e sua brilhante apresentação foi feita por uma das maiores escritoras do país, ex Presidente da AML, Maria Luiza Silveira Teles.

Mary Lélis ocupa a Cadeira nº 28 da Academia Montes-clarense de Letras, que tem como Patrono Sebastião Tupinambá, Fundadora Felicidade Tupinambá Lélis, desde o dia dezesseis de setembro de 2000, em solenidade realizada no salão nobre do Automóvel Clube de Montes Claros. A sua bela e rica apresentação ou saudação foi feita pela saudosa acadêmica Ruth Tupinambá Graça, autora de "Eterna Lembrança" e "Montes Claros era assim". Em seguida, o magnífico discurso de Mary de Elogio ao Patrono Sebastião Tupinambá e à fundadora Felicidade Tupinambá, que havia sido uma de suas queridas colegas de trabalho no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, onde fez também excepcional história de extrema dedicação, por dezesseis anos, tendo sido Coordenadora do Departamento Cultural do CELF, quando criou e organizou a 1ª e grande Feira Livre de Artes de Montes Claros, na histórica Praça Dr. Chaves/da Matriz, de que foi Coordenadora, através da qual descobriu muitos talentos artísticos até então anônimos, abrindo preciosos espaços e dando aos mesmos visibilidade! Desenvolveu, pois, importante trabalho no vasto campo cultural da cidade e, no setor artístico, fez trabalhos de restauração, pátina e de confecção de peças artesanais de sua própria criação.

A Academia Montes-clarense de Letras foi fundada em 13 de setembro de 1966, tendo sido homenageada pela Câmara Municipal de Montes Claros, em seus 50 anos de atividades. Foi presidida por nomes da grandeza de Antônio Augusto Velloso, José Raimundo Neto, Orlando Ferreira Lima, Arthur Jardim de Castro Gomes, João Valle Maurício, José Prudêncio Macedo, Olyntho da Silveira, Wanderlino Arruda, Reivaldo Simões de Souza (filho do nosso "Guimarães Rosa da Poesia", Cândido Canela), Yvonne de Oliveira Silveira, Maria Luiza Silveira Teles e, atualmente, tem à frente o nome de Itamaury Teles. A escritora Yvonne de Oliveira Silveira foi Secretária da AML, no período de 1974 a 1976; Vice Presidente, no período de 1976 a 1978 e, a partir de 1989, uma das mais atuantes e dedicadas Presidentes da Academia, que tanto amava, e a que mais tempo ficou à frente da AML, até o fim de seus cem anos de vida, interrompidos em 17.03.2015, razão pela qual a Academia Montes-clarense de Letras recebeu o nome de "Casa de Yvonne Silveira". E quem esteve sempre ao seu lado, em todos os momentos, felizes ou não?! A sua especial e querida vizinha, amiga e também grande escritora Mary Léllis!... Nós também a visitávamos muito em sua casa, na Rua Basílio de Paula, nº 200 - Vila Brasília, ou a recebíamos com todo carinho, atenção e prazer na Secretaria Municipal de Cultura, para os mais diversos apoios. Numa dessas ocasiões, em sua casa, ouvimos dela belos e sinceros elogios à poetisa e cronista Mary Léllis: "ela é a maior cronista que eu conheço", chegou a me dizer um dia, ressaltando o seu dom, talento e perfeição raros ao escrever!...

Mary Lélis foi colaboradora dos antigos O Jornal de Montes Claros e Diário de Montes Claros, onde assinava a coluna semanal "Crônica da Cidade". Lançou, em duas edições de mil exemplares, o livro de poesias "Pedaços de mim", onde "colocou o ultra lirismo a serviço da catarse". Importante lembrar que fez o curso ginasial no nosso grande e amado "Colégio Imaculada Conceição" e o curso de Magistério no Colégio Nossa Senhora das Dores, em Diamantina. No âmbito social, deixou também marcado para sempre o seu nome, ao fundar a Associação dos Produtores Rurais de Serra Velha e Riacho Fundo, de que foi Presidente por três mandatos. A fusão das duas comunidades deu origem à Associação, cujo objetivo primeiro e único foi ajudar aqueles que viviam à margem da sociedade, sem um olhar sequer de atenção! Ao lutar bravamente em prol daquela gente, enfrentou imensas dificuldades, mas a sua vontade de implementar um trabalho de construção e transformação foi sempre maior e, assim, nasceu o 1º grande projeto, com a colaboração da Visão Mundial. Quatro comunidades integraram o projeto: Comunidade de Abóboras e Santa Maria, Serra Velha e Riacho Fundo. O 2º Projeto foi o de Gado Leiteiro, através do Banco do Nordeste, com elaboração e supervisão da EMATER, quando quinze moradores foram beneficiados com o projeto e, ainda, uma fábrica de ração. O 3º projeto foi o de Iluminação, através da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste - SUDENOR, também elaborado e supervisionado pela EMATER. Hoje mais de 80 (oitenta) famílias usufruem dos benefícios da eletrificação, o que deixa claro o compromisso de Mary Lélis com o social, tendo até mesmo ajudado a construir casas - pegando e levando materiais pesados - a famílias carentes e totalmente desamparadas.

Vale ressaltar o extraordinário apoio de Mário Ribeiro, o grande e saudoso Marão, quando Prefeito de Montes Claros, que colocou à disposição daquelas comunidades um trator de esteira e duas Patrol, abrindo mais de 40 kms de estradas vicinais, com Mary Lélis destacando que "Mário Ribeiro foi o único Prefeito, durante quinze anos de trabalho incansável naquela região, que ajudou efetivamente as duas comunidades - de Serra Velha e Riacho Fundo - tão sofridas e abandonadas!" Lembra ainda a perfuração de um poço tubular pelo então Diretor do DNOCS, Renato Rebello, equipado pelo Banco do Nordeste. Na parte alta da "Comunidade Serra Velha", quinze famílias foram contempladas com água em suas casas, trabalho que culminou com a implantação de uma rede de água, cujo percurso foi de mais de 8 quilômetros de comprimento e, aproximadamente, 4 quilômetros de largura. Sobre os seus grandiosos projetos de ação social, Mary abre mais um parêntese de mérito: "Contudo, jamais seriam realizados todos esses projetos sem a orientação, apoio e solidariedade do então Vereador e meu amigo Benedito Said - hoje grande e competente Secretário Municipal de Educação de Montes Claros -. Fomos parceiros também anteriormente, em outros projetos priorizando o social", conclui a mãe de um Sérgio e um Marcelo Lélis, fontes de orgulho e alegria, junto aos netos, que transformam a sua casa na Rua Professor Monteiro Fonseca em um recanto encantador, cheio de verde, artes e sabores!
                
Assim, a grande Tesoureira e eterna, atual e atuante Diretora Financeira da Academia Montes-clarense de Letras/AML, com toda a sua importância, consistência e tradição, considerada por todos os presidentes pelos quais passou e passa "o seu braço direito, o braço esquerdo e as próprias pernas", foi homenageada pelo seu intenso trabalho literário e total dedicação à Academia, transformando as reuniões ordinárias em extraordinárias festas de confraternização e produtivas, construtivas e criativas conversas e debates literários - os eventos especiais se tornam sempre momentos inesquecíveis - e em tudo há a mão e o brilho maior de nossa Mary!!

** Poetisa, cronista, escritora, membro da Academia Montes-clarense de Letras desde 1981, por indicação do grande e saudoso sonetista Olintho Silveira, com apoio da esposa e escritora, professora na FAFIL, Yvonne de Oliveira Silveira.

AML E HOMENAGENS


A grande Academia Montes-clarense de Letras/AML, esteve homenageando, em sessão solene realizada no último dia 13 de novembro de 2018, às 20h00, no Centro Cultural Hermes de Paula, os nomes de FELICIDADE PATROCÍNIO, como "Destaque Cultural", pelas suas incessantes e relevantes atividades, em estímulo à leitura de obras literárias na cidade, que recebeu o "Troféu Cônego Adherbal Murta de Almeida" (o muito querido e saudoso Padre Murta) e dos extraordinários acadêmicos JUVENAL CALDEIRA E MARY LÉLIS, que receberam o justo "Troféu do Mérito Acadêmico Yvonne de Oliveira Silveira", distinguidos pelos seus pares como os que mais se destacaram nas atividades da Academia Montes-clarense de Letras em 2018, na verdade, há longos anos ali se destacam! Muitas palmas, que eles merecem!...

terça-feira, 6 de novembro de 2018

VENDA

Livros:

Barsa
Coletânea - Ano 1997 - 14 volumes. 
Livro do ano; Datapédia Volumes 1 e 2;
Videopédia e Vídeos complementares



Jorge Amado
Coletânea Literária - 14 volumes


         
- Livros Usados
               
Duas coleções de 14 volumes cada
               
- Em bom estado de conservação
               
- Amarelados pela ação do tempo
               
- Valor a combinar


* Interessados falar com Vera Borém
   Contato: (38)999587136 - 
                   Montes Claros,MG.



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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

- Crônica -

A ECHARPE
por Aristônio Canela*


Ao acaso, uma rainha chinesa descobriu a seda quando tomava chá em baixo de uma amoreira no jardim de seu palácio e um casulo caiu dentro       da xícara soltando seu fio. Depois, a Imperatriz Hsi Ling Shi, inventou o tear para produzir o tecido e todos esses segredos foram guardados pelos chineses por eternidades, retidos nas mãos e mentes de escolhidos. Somente privilegiados podiam conviver com tamanho poder, dada sua importância no comércio mundial e a indústria do país tirava proveito disso com intensidade e absoluta soberania.

A seda é uma fibra de origem animal, resistente, afeita a tingimentos, disponível para estampas de rara beleza e produzida na fase de encasulamento, quando a lagarta completa seu ciclo de transformação em mariposa.

A obtenção de ovos selecionados, criação adequada e o cultivo da amoreira cujas folhas, alimentação imprescindível para as lagartas, são pilares fundamentais na obtenção de um bom produto.

No Brasil as atividades industriais iniciaram-se no século XIX durante o reinado de Pedro I com a “IMPERIAL COMPANHIA SEROPÉDICA FLUMINENSE” e hoje, os bichos da seda são criados por pequenos e médios agricultores em galpões e os casulos entregues às indústrias para beneficiamento fortalecendo a produção principalmente no estado do Paraná.

Nada disso, porém, comporia a história, tão preciosa em detalhes, não fossem Zhao Ming e Yun Shui, dois monges primários, irmãos, pertencentes ao mosteiro de Palcho, edificado na cidade  de Gyantse, com sua estupa Kunbun, edifício em forma de torre cônica,  centro da escola Sakya do budismo tibetano.

Os jovens em formação foram prometidos pela família de camponeses ao templo, contra suas vontades, mas, obedientes, assumiram os desejos do pai, até mesmo para diminuir bocas na alimentação.

A vida de preces, estudos do budismo e meditações, não conseguiram, entretanto, apaziguar suas almas sequiosas de aventuras, quanto mais sabidos ficavam.

A regra de ouro do Mosteiro era a absoluta abstinência sexual, importante via de canalização energética para compreensão dos ensinamentos do senhor Buda.

Naquela tarde, os dois, dentro da mais pura humildade, foram designados para buscarem, na pequena feira do largo à frente do edifício principal, frutas e verduras, doadas por abnegados e fiéis feirantes, todos praticantes dos ensinamentos do “Iluminado”.

Quis o destino, com seu viés galhofeiro, deixar bem às vistas Hui Ying e Ling Su, jovens de peles leitosas e tenras, olhos expressivos, sorrisos discretos e corações palpitando na mais pura ousadia juvenil; Filhas de Wauf Xenpin, homem honrado da comunidade, agricultor por natureza, trazendo na expressão severa um grande mistério, o que não impediu a formação imediata de uma imensa onda elétrica amorosa entre os quatro corações endoidecidos. Esse sentimento avassalador rompeu barreiras e ninguém viu as figuras se esgueirarem-se nas sombras da noite, numa vazão de intenso banquete carnal, dias após dias, desafiando todas as possíveis margens de segurança e pondo em risco integridades físicas. Além disso, despertou-se a cobiça sentimento tão mundano, quando os dois rapazes descobriram o grande segredo do velho comerciante; era o verdadeiro guardião “de ovos do bicho da seda.”

O Mosteiro, em poucos movimentos da sua polícia, identificou todos os passos da doce e irresponsável juventude e os dois jovens viram-se num átimo, condenados sumariamente à morte pelo grave crime de “fornicação”, pondo-se à disposição do carrasco na masmorra da cidade.

Mais uma vez o destino se fez presente e numa madrugada a porta do calabouço foi aberta por suas amadas vestidas de guardas depois de deixarem os verdadeiros, adormecidos por um chá poderoso.

Sem tempo a perder, além da liberdade, as moças presentearam-lhes, dentro de uma sacola de couro, ovos do bicho da seda, uns verdadeiros passaportes para outra vida fora do Tibet e em contrapartida, certificaram-se das sementes implantadas em seus úteros.

O instinto de sobrevivência falou alto e os monges, após enfrentarem a fúria da natureza e dos sabujos do Mosteiro, chegaram a Waithuam-Guilim, pequena cidade agrícola perto de Guangzhou, onde estropiados, esconderam para se recuperarem, deixando o tempo escoar na sua sabedoria.

Duas semanas depois, discretamente, sempre caminhando à noite foram até o Porto de Malan e conseguiram embarcar no “TREVO DE OLIVEIROS”, navio mercante português, com destino a Lisboa.

Assim foi, portanto, que no início da era cristã, dois monges levaram para a Europa o segredo desvendado do “fio da seda”, iniciando a industrialização, depois de identificadas as melhores espécies.

A fazenda “Porto Rico” de propriedade do Coronel Cleonício Bragamontes da Fonseca, homem de caráter irretocável, duro em suas decisões, católico fervoroso, arauto dos ditames da tradicionalíssima família Mineira, rico, de pele morena, cabelos curtos e bastos bigodes negros, muito bem aparados semanalmente na barbearia Matrioska, por Hermano Papa Defunto, forte feito cerne de aroeira, acabado de chegar aos cinqüenta, bonitão, grande representante da macheza e virilidade humana, casado há vinte e cinco anos com Dona Rosileiva Maria de Argantes, de descendência sulina, alva feito leite, cabelos acobreados, de trato refinado, ligada às lides do lar, sempre discreta e cordata, respeitadora das vontades do marido, teve por um bom tempo, dificuldades para adaptação no Norte de Minas, com o clima principalmente, mãe de dois filhos e uma filha, estudantes em Montes Claros, propondo-lhe assim, mais tempo para cuidar do Coronel, seu grande amor, não se vendo outro casal mais estável e de comportamento tão seguro e exemplar quanto aquele.

É bem verdade, em crescentes comentários no salão de Lilico Mimoso, à pés de ouvidos, sobre o visgo corrosivo da rotina na tristeza de olhares da dama, caindo lentamente num suposto distanciamento, fortemente combatido por Padre Mariano, em suas predigas, num púlpito absolutamente adepto, mesmo a preço alto, da permanente união de um casal, não correspondendo a opinião cáustica do famoso cabeleireiro, defensor da total liberdade de escolhas, sem barreira ou preconceitos.

Especialmente naqueles meses, via-se Lilico num comportamento diferente, de euforias extravagantes, sempre acompanhado de sua “echarpe” de seda pura chinesa, achegada ao pescoço como se fosse um troféu conquistado depois de peleja intensa, justificada  pelo cheiro de um amor imenso vivido sobre os auspícios de verdades secretíssimas.

A situação claramente afetava Leidinha Gaga, que jamais escondeu sua dedicação sentimental ao Mimoso, jurada para eternidade, nesse clima de marcha e contra marchas das vias tortas do tempo.

No próximo final de semana seria realizada a festa maior do ano do povoado com um baile de gala, no requintado salão paroquial e apresentação da famosa atriz e cantora Leila Britto no belíssimo show “Feitiço do Tempo”, criado a caráter por seu escritor favorito.

A região efervescia nos mínimos detalhes dos preparativos, nas decorações, ensaios, repetindo e repetindo mínimos detalhes para o brilho inundar as noites e invejar o sol dos dias.

Na sexta, cavalgada com mais duzentos participantes, churrasco na praça e muito forró à noite com Tavinho dos teclados. No sábado pela manhã e tarde, barraquinhas, comidas típicas e corrida de argolinhas com três televisões de prêmio para os primeiros colocados; à noite o pomposo baile e no domingo a santa missa com Padre Mariano e o senhor bispo de Montes Claros.

A presença do Coronel Cleonício e a esposa na festança vinha sendo ameaçada por uma virose com tosses e espirros altamente incomodantes, amparados por seus lenços de linho e bravamente combatidos pelos chás milagrosos de Sá Olegária, na esperança de melhoras.

Seu terno mais bonito passou a noite de sexta nas mãos de dona Cota costureira para pequenos ajustes e, na madrugada, só as estrelas viram uma sombra deslizante tomá-lo por entre as mãos.

Lilico, depois de intenso movimento no salão, já quase saindo para o baile, não encontrou sua echarpe no guarda roupas e mesmo de bico grande, sentindo-se completamente nu, marcou presença numa mesa defronte ao coronel e família, ocupantes do lugar de honra.

 A música teceu uma teia de languidez quando a cantora interpretou “Magia”, sua preferida e os pares rodopiavam no salão, agarradinhos ao sabor das notas musicais, quando uma repentina crise de tosse seca sacudiu o coronel. Imediatamente buscou na algibeira do paletó seu lenço protetor e teve uma grande surpresa para si, esposa e olhos esbugalhados de Lilico Mimoso. De lá, saiu escorregando por entre seus dedos, num requinte de rebolamentos sensuais, a “echarpe” do cabeleireiro, com a seda viva envolvida em seu punho de puro macho, num abraço constritivo de sucuri e o tempo parou para ver o espanto e uma lágrima lenta desbravar a maquiagem de dona Rosileiva.  Altiva feito uma rainha, sem perder a compostura, olhando fixamente para Lilico, rasgou lentamente o tecido em ódio profundo nos pedaços miúdos e jogou tudo por debaixo da mesa. Depois, tomou o braço do marido e achegou-se a ele num “GRÃ FINALE”

Interessante! Somente no final deste texto percebo o quanto foi marcante a ausência de Leidinha Gaga no salão de festas.



Membro da Academia Montes-Clarense de Letras.*

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