domingo, 7 de outubro de 2012

LANÇAMENTO:


LIVRO "A PARTE DO TODO "

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 O grande e admirado poeta José Geraldo Mendonça Júnior, Penninha, filho do querido casal José Geraldo de Souza Lima Mendonça (Zezinho Mendonça) e Nininha Narciso Mendonça, lançará o seu primeiro livro de poemas, "A PARTE DO TODO", pela Editora Catrumano, no próximo dia 10 de outubro, quarta-feira, dentro do 26 "Salão Nacional de Poesia Psiu Poético", que tem à frente o nome do popular poeta Aroldo Pereira, na Galeria de Artes Godofredo Guedes, do Centro Cultural Hermes de Paula (Praça Dr. Chaves ou da Matriz, número 32 - Núcleo Histórico da cidade), livro este que traz rigorosa seleção de poemas escritos por Penninha, a partir de 1982, em sua maioria curtos, tipo "haikais", alguns deles em homenagem a pessoas queridas que passaram, como verdadeiras estrelas luminosas, por sua vida: a saudosa prima e extraordinária cantora, Aline Mendonça ("ESTRELA SOLITÁRIA") e o genial músico e compositor, além de artista plástico (pintor), Godofredo Guedes ("MONTESCLARIAR"). Destaque também para poemas seus que já foram musicados, a exemplo do "BOCA DA NOITE" (Penninha e Nando Correia). 

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Dentro do estilo poético mais sintético do autor, navegando, ao mesmo tempo e harmoniosamente, entre o lógico, lírico e romântico, Penninha faz da síntese um instrumento mais que preciso, precioso, para dizer tudo que envolva cada tema ou poema em poucas, perfeitas e profundamente poéticas palavras, onde deixa clara toda a sua fluência literária e talento indiscutível, n`alguns casos indescritível!... Como bem disse Márcio Adriano Morais, "a doçura do luzir está, sem dúvida, nos olhos poéticos de A PARTE DO TODO". 

A maioria dos poemas que compõem o livro são de amor, onde o autor usa uma poética leve, influenciada por letristas e poetas que tratam sabiamente o tema, sempre de forma lírica e romântica, fazendo uso, ainda, da palavra lógica, na composição e definição de cada poema-obra de arte pura, mas sem jamais ferir, e de nenhuma forma, quem dele faz atenta e prazerosa leitura. 

Uma das coisas que mais chamam a atenção no livro "A Parte do Todo" é que em nenhum poema há uma palavra sequer que reduza ou diminua a pessoa humana, em aspecto algum do "ser" e "viver o amor", pois é uma obra que fala do amor "com amor", com boa e saborosa dose de "amor humano", sim, pois utiliza, tempo inteiro e cuidadosamente, de forma leve e lírica, figuras de linguagem poética que mais e marcantemente tocam o coração e a alma das pessoas! 

A maioria dos poemas foi elaborada ainda de forma artesanal, ou seja, manuscritos, e outros já na fase digital do poeta, que hoje escreve boa parte de seus belos e brilhantes poemas já diretamente nas redes sociais, como o Facebook e Orkut.

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       Parabéns, Penninha, e sucessos, sempre, em sua bela trajetória poético-catrumana!...

Que todos os amantes da arte literária da cidade e região, especialmente os nossos grandes poetas e poetisas, acadêmicos ou não, prestigiem o lançamento do livro de poemas de Penninha, "A Parte do Todo", a partir das 20h00 do próximo dia 10 de outubro (quarta-feira), na grande Galeria de Artes Godofredo Guedes... -


Com admiração e carinho,

Raquel e Babi Mendonça.


OBS.: Aproveitamos a oportunidade para enviar grande abraço e beijo no coração da muito querida Tia Nininha, uma graça de pessoa, sempre carinhosa e atenciosa com todos, pela passagem de seus oitenta anos de vida, em tudo exemplar e digna dos melhores elogios e muitos, muitos e sonoros aplausos!!!

Parabéns, Tia Nininha, felicidades, longos anos de vida, junto a Tio Zezinho e a todos os seus!...

sábado, 6 de outubro de 2012

MAIS ESPÍRITO


* Raquel Mendonça

Mais espírito que corpo, desde que me conheço ou me entendo por gente, tenho por verdadeiro tesouro a parte imaterial do que sou! Este foi e é, sem nenhuma dúvida, meu maior patrimônio pessoal: a minha alma, o espírito em tudo à frente do meu corpo meramente material, no comando maior de minha vida e ações! Somos mais, muito mais do que um simples corpo, ainda aqui, na Terra dos Vivos! E está na Bíblia Sagrada: "O amor excessivo ao dinheiro é o princípio de todos os males!" 

A perfeição, harmonia e equilíbrio das formas sempre me atraíram intensa e imensamente, sim, mas em obras ou criações artísticas! Os valores ligados à vida espiritual ou essencial sempre falaram (ou cantaram!) mais alto e mais profundo dentro de mim, em admiração plena, inteira à inspiração musical, teatral ou artística em geral! Viver, mas viver com alma, veemência de sentimento, paixão, entusiasmo, arrebatamento, que só o amor e a arte nos trazem ou proporcionam! Como não se encher de emoção ao ouvir um Grupo de Seresta, sentindo correr no coração o puro calor das canções populares ou modinhas, que nos leva às lágrimas, muitas vezes?!

O espírito forte me guia, graças a Deus, e a Luz do Divino me protege, no meio das pedras "drummonianas" (algumas rochosas e traiçoeiras...) do caminho diário e, com a calma e paciência humanamente possíveis, consigo ultrapassá-las ou firmemente as "desarmo", se não passam, muitas vezes, de armações montadas por verdadeiros espíritos do mal, infernais; plantadas, propositadamente, perto de nós, no campo pessoal ou profissional. Por isso peço (Salmo 7.7): "Levanta-te, Senhor, na tua ira, e mostra a tua grandeza no meio de meus inimigos! Levanta-te, Senhor, segundo a Lei estabelecida por ti." 

Tem muita gente, por outro lado, que vende a alma ao diabo, o espírito das trevas, por muito pouco ou qualquer ninharia, embora tostão e milhão sejam a mesma coisa no quesito desonestidade ou  corrupção! Disse Jesus: "O que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma." (Mt. 16, 26) -

Quantas vezes nos deparamos com almas danadas, verdadeiras almas do demônio, em pessoas perversas, más, cruéis, infinitamente egocêntricas, dissimuladas e manipuladoras, capazes de pensar, sentir, falar - incluídas injúrias, infâmias, calúnias, crimes previstos em lei -, ou fazer o pior contra o outro, até mesmo contra membros honrados e em tudo dignos e corretos da própria família?! Aqueles que têm compromisso com o Bem e a Verdade normalmente se atraem e os maus se dão, sempre, muito bem com os maus! Aqui, vale rezar a São Miguel Arcanjo: "(...) protegei-nos no combate; cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e as ciladas do demônio. Subjugue-o, Deus, instantemente o pedimos, e vós, Príncipe da Milícia Celeste, pelo Divino Poder, precipitai no inferno a Satanás a aos outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém."

E quantos corações frios há por aí, duros, empedernidos, que sequer se sensibilizam ou se importam com o problema, dor, carência, necessidade ou drama alheio?! Quantas almas perdidas há por aí, e quantos se perdem no meio de vícios - os mais nocivos e destrutivos! -, frutos de estradas ou atalhos errados, apresentando quadros nos quais são comuns vermos, pelas ruas e praças, passando por crises emocionais graves, deles decorrentes, enquanto reações já esperadas ou inesperadas, sem consolo, força, apoio, conforto? Cuidem de nós, também, nas nossas pequenas aflições ou angústias, se às acima comparadas, e continuem nos protegendo, junto a Jesus, Maria e a todos os Santos, as almas boas e benditas dos nossos nos céus!...

O sentido real para a vida não pode estar vinculado ao egoísmo, mentira, maldade e ambição, acomodado dentro da, na verdade, miséria material em que muitos se fecham ou se encastelam, como se infinitamente realizados, constituída de casas e mais casas, prédios e mais prédios, mansões e mais mansões - sem contarem os "fazendões" e as milhares de cabeças de gado e por aí afora, a se perderem de vista, em "fortunas" e moedas que não acabam mais - e, na garagem, alguns "carros de luxo", importados, de preço - a que preço?! - elevadíssimo, mas sem nenhuma - nenhuma! - significação maior!

A vida espiritual, atemporal deve, na verdade, começar aqui na terra, por oposição à pura - tantas vezes e completamente impura - matéria pela matéria! O poder espiritual, natural e eterno deve, assim, nortear as nossas palavras e atitudes, para que, nos despindo de riquezas ou valores terrenos excessivos, possamos readquirir, diariamente, a dose necessária de energia espiritual vital, recobrando a intensidade de alma, o ânimo e a coragem (se necessária a valentia, aliada à sabedoria!) diante das coisas e causas maiores da vida pessoal e profissional! Uma oração de proteção (Salmo 26,1.13-14), que serve a tais ocasiões ou situações: "O Senhor é minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo? (...) Sei que verei os benefícios do Senhor na terra dos vivos! Espera no Senhor e sê forte! Fortifique-se o teu coração e espera no Senhor!"

 A parte central do ser deve conduzir, pois, a vida como um todo, em sua condição primacial, essencial... de ser! Porque a vida de nada valeria e nenhum sentido teria se não estivéssemos sempre voltados ao caminho dos bons sentimentos e realizações, por mais que nos defrontemos com obstáculos e dificuldades de toda ordem à nossa frente, sem contarem os prejuízos com que, muitas vezes, são "premiados" os "incômodos" trabalhadores honestos!... E o ouro, ouro puro e que realmente vale não está em jóias desprezíveis ou acúmulo sem medida e desprendimento mínimo que seja de bens materiais, mas tão somente nos corações que verdadeiramente Amam o próximo!

Deus que é Mais, é Pai, Nossa Senhora que é Mãe Maior, nos protejam, defendam e guardem dos egoístas, maus, perversos, cruéis e sem o menor escrúpulo moral, movidos apenas pela vã matéria,  completamente despidos, em sua vileza, mesquinhez e pequeneza humana, de espírito, alma, verdade, solidariedade e generosidade!... 



* Membro da Academia Montesclarense de Letras, da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco - ACLECIA e do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros 
IHGMC

terça-feira, 2 de outubro de 2012

AS FESTAS DE AGOSTO

E O FESTIVAL FOLCLÓRICO DE MONTES CLAROS - 2012

* Raquel Mendonça


Não custa nada repetir e insistir em verdade irrefutável: as Festas de Agosto e o Festival Folclórico de Montes Claros são dois eventos culturais completamente distintos, um popular e o outro oficial; um com 173 (cento e setenta e três) anos de existência, o outro com 34 (trinta e quatro); um realizado pelos Catopês, Marujos, Caboclinhos, Mordomos e Festeiros, em casas dos diretamente envolvidos, nas ruas centrais da cidade, Igrejinha do Rosário (Praça Portugal), espaços para festas (onde acontecem os grandes Almoços oferecidos pelos "Festeiros" dos Reinados de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito e do Império do Divino Espírito Santo, que membros da Equipe de Eventos da Secretaria de Cultura ajudam a servir) etc, com ainda pequeno apoio financeiro da Prefeitura, diante do necessário ao grande número de membros dos diversos grupos; o outro realizado pela Prefeitura de Montes Claros, através da Secretaria Municipal de Cultura, em várias praças e palcos da cidade... As Festas de Agosto surgiram em 1839, quando Marcelino Alves "pediu licença para tirar esmolas para as festas de Nossa Senhora do Rosário e do Divino Espírito Santo, que pretendia fazer - e o fez - nesta freguesia"; o Festival Folclórico foi criado por Clarice Maciel, primeira Diretora do Centro Cultural Hermes de Paula, em gestão de Antônio Lafetá Rebello ("Seu" Toninho), "para aproveitar o movimento das festas", como sempre afirmava, e não para impedir que elas acabassem, como se falou e ainda se fala, pois não corriam este risco e, para o Mestre Zanza, único e autêntico Coordenador das Festas de Agosto de Montes Claros, "o Festival Folclórico acontecendo ao mesmo tempo que as Festas de Agosto só atrapalha, principalmente o Levantamento dos Mastros, que acontece à noite, e o povo, que podia estar lá, vai ver shows, comer e beber, nos palcos e barraquinhas das praças", e não se cansa de repetir: "por que eles não fazem o Festival antes ou depois das Festas de Agosto, que são religiosas, em homenagem aos santos de nossa devoção?!"

Cheguei a ouvir algumas vezes uma verdadeira aberração, fruto da mais profunda ignorância cultural e da presunção e prepotência que dominam, normalmente, pessoas despreparadas para atuarem nesta área, tão séria, fundamental e prioritária: "as Festas de Agosto não passam de um mero item da programação do Festival Folclórico!..." Muitas ações e propagações, ainda hoje, tentam "confirmar" esta "estória" estapafúrdia, como se as Festas de Agosto fossem promoção da Prefeitura, e na qual gente séria, até mesmo da imprensa, onde também atuo há mais de quarenta anos, acredita.

No período de 14 a 19 de agosto de 2012, aconteceram, pois, na cidade, as "Festas de Agosto de Montes Claros", consideradas a maior e mais importante manifestação cultural popular e tradicional do município, com 173 anos de existência e resistência a inúmeras tentativas de descaracterização, intervenção ou cooptação indevidas, ao longo dos tempos, por meio de ingerências culturais de toda espécie e partindo de vários setores, que insistem em "inter-ferir" nas grandiosas Festas ao povo pertencentes, agregando-as, equivocada e irregularmente, ao também grande Festival...

O maior nome das Festas de Agosto é, sem dúvida, o conhecido e admirado "Mestre Zanza" (João Pimenta dos Santos), Chefe do Primeiro Grupo de Catopês de Nossa Senhora do Rosário e presidente da importante Associação dos Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros (tivemos a honra de dar apoio técnico à sua criação, com Joba Costa, junto aos Mestres), que comanda as Festas, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura/Prefeitura de Montes Claros, através de ajuda financeira (neste ano foram destinados R$ 30.000,00 - trinta mil reais - para os seis grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos, com mais de trezentos integrantes, em seu total), e da Equipe de Eventos, coordenada pelo nome de Marilene Mourão (que sempre apoiou, discretamente, Mordomos e Festeiros, em suas sagradas missões nas Festas), equipe esta que ajuda na organização dos Cortejos de Príncipes e Princesas - embora um(a) ou outro(a) exagere absurdamente na dose, como afastando, aos berros, mães de pequenos príncipes e princesas, sem as quais os mesmos não desfilam, e é tradição que elas, as mães, possam segurar-lhes a mão, quando necessário... -, bem como na confecção de peças concebidas pelo Setor de Artes Visuais da Secretaria, para enfeitar as ruas centrais da cidade, por onde passam e são saudados pela população e inúmeros visitantes de diversas partes do país e do mundo os três grupos de Catopês (dois de Nossa Senhora do Rosário e um de São Benedito), as duas Marujadas e a Caboclada; de modo especial, os Chefes dos Catopês; além de Mestre Zanza, há os Mestres João Faria e Zé Expedito; das Marujadas, Mestres Tim e Tony Cachoeira; da Caboclada, a Cacicona Socorro, assim como os Reinados e Império, peças estas em que se destacam os estandartes dos santos homenageados e as "saias de fitas", ou seja, as belas fitas coloridas dos catopês ou dançantes - símbolo primeiro das Festas -, considerados estes, os catopês, desde o seu início, os "Donos das Festas de Agosto de Montes Claros", mesmo congado/zumbi/moçambique de outros lugares, com características regionais, e outros elementos decorativos mais referentes às famosas Festas. 

Mestre Zanza realizou, como deve ser, reuniões com as famílias festeiras e de mordomos, na sede da Associação dos Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos, situada na Rua Humaitá, 126, com Santa Efigênia, no Bairro Morrinho, para que tudo saísse conforme a tradição das Festas e as definições finais do Mestre maior.

Por outro lado, a Secretaria de Cultura realizou, paralelamente às Festas de Agosto, o Festival Folclórico de Montes Claros, em sua 34a. edição, no Coreto da Praça Dr. Chaves/da Matriz (neste ano também no Corredor Cultural Padre Dudu, Rua Cel. Celestino e adjacências), Praça Dr. Carlos, Mercado Municipal Christo Raeff e também na Praça Portugal da Igrejinha do Rosário e dos Catopês, com diversos shows de música, dança e outros espetáculos culturais, alguns deles contestados na mídia por conhecidos Folcloristas, porque completamente dissociados da cultura popular; barraquinhas de comidas típicas e muitas outras atrações, que deveriam ser sempre relacionadas ao Folclore, ou seja, ao "Fazer do Povo" (Cultura Popular), embora se apresentem nomes ou grupos contrastantes (não folclóricos...), até mesmo agressivos, em seus estilos, às Festas Religiosas, de importância infinitamente maior em todos os aspectos, na verdade em tudo superior, aos demais eventos de agosto!... 

Paralelamente às Festas de Agosto, aconteceu ainda, neste ano, o evento "A Gosto da Unimontes", com programação no "Sobrado da Escola Normal/FAFIL" ou prédio da FAFIL, na Rua Coronel Celestino, número 75 - Corredor Cultural/Centro Histórico da cidade.

As Festas de Agosto, de fundamentação religiosa, parte importante do Catolicismo Popular da cidade, contam com o "Reinado de Nossa Senhora do Rosário" (neste ano realizado no dia 16 de agosto - quinta-feira); o "Reinado de São Benedito" (17 - sexta-feira) e o "Império do Divino Espírito Santo" (18 - sábado), que saem da Praça Dr. João Alves, em frente ao Automóvel Clube, há bastante tempo, em torno das nove horas da manhã, até a Igrejinha do Rosário, atrás de séquito de príncipes e princesas, acompanhados pela Banda de Música do 10. Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais, o que abrilhanta em muito, anualmente, o tradicional evento cultural. Na "Igrejinha dos Catopês", a Capela de Nossa Senhora do Rosário, na Praça Portugal, há missas, bênçãos e levantamento dos três mastros (às 19:00 do dia 15, Mastro de Nossa Senhora do Rosário; no dia 16, Mastro de São Benedito e no dia 17, Mastro do Divino Espírito Santo) e onde, no último dia de festa, dia 19 neste ano, depois da "Procissão de Encerramento", a partir das 16:00 horas - com participação especial de grupos de congadeiros convidados ao "Encontro Mineiro de Ternos de Congado", que se realiza na manhã de domingo, na sede da Associação dos Catopês -, acontece o sorteio ou solicitação das três "Famílias" Festeiras e Mordomos para o ano seguinte, correspondentes aos três santos de devoção dos Catopês, Marujos e Caboclinhos, como reza a festa, em suas quase bicentenárias regras de organização, preservação e promoção!...


OS FESTEIROS


Os Festeiros de Nossa Senhora do Rosário, que, conforme prega a tradição das Festas - Religiosas - de Agosto, são famílias da cidade, foram, neste ano, os casais Leonardo Linhares Drummond Machado/Katherine Vieira Noronha Machado, pais do "Rei de Nossa Senhora do Rosário", João Pedro Linhares Noronha Machado; Geraldo Silvano Ferreira/Eliete Aparecida Soares Ribeiro, pais da "Rainha de Nossa Senhora do Rosário", Priscila Maria Soares da Silva, com apoio da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES que, como toda escola, em todos os níveis de ensino, deve contribuir para o fortalecimento da importante e imprescindível tarefa de "Educação Patrimonial" na cidade, através do necessário conhecimento sobre as mais que significativas e expressivas "Festas de Agosto de Montes Claros", quanto às suas principais características e fundamentações, que geram tanta beleza e riqueza culturais! 



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Os Festeiros de São Benedito foram Jackson Leite Madureira e Sandra Ladeia Costa Madureira, pais do "Rei de São Benedito", Caio José Costa Madureira, e o casal Edson Roberto de Oliveira e Sandra Gracy Davi Vasconcelos Oliveira, pais da "Rainha de São Benedito", Laís Vasconcelos Oliveira. O Reinado de São Benedito teve o apoio do cidadão e político Marcos Maia.


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Os Festeiros do Divino Espírito Santo foram o casal Ângela Assis Martins (montes-clarense, filha de Rosângela Veloso Assis Martins e Américo Martins Filho) e o norte americano Robert Gregory, pais da "Imperatriz do Divino", Sophia Martins Gregory, nascida em Nova Iorque, mas de família materna e coração montes-clarenses, festeiros estes que, por residirem em Nova Yorque, foram aqui muito bem representados pela mãe da Festeira, Ângela - ex Rainha de Nossa Senhora do Rosário -, Rosângela Veloso Assis Martins. Também grandes festeiros do Divino, os nomes de Rosany Godinho Nunes Avelar Coelho e Afonso Carlos Avelar Coelho, pais do "Imperador do Divino", Afonso Carlos Nunes Coelho, com apoio especial - mais uma vez - também da vovó Beatriz Avelar.



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As Festas de Agosto de Montes Claros, Bem Cultural Imaterial dos mais expressivos e significativos não somente da cidade e do estado, mas também do país, pois o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, quando tinha como Superintendente o renomado historiador montes-clarense, Fabiano Lopes de Paula, chegou a sugerir, há alguns anos atrás, que as Festas de Agosto fossem, com toda justiça, registradas como "Bem Cultural Imaterial da União", através do IPHAN, por sua extraordinária importância cultural! 


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E, por favor, se alguma escola da cidade quiser "homenagear" os Catopês, Marujos e Caboclinhos das nossas maravilhosas Festas de Agosto de forma bonita e acertada, ao invés de participarem do desfile uniformizados, como se festa fosse de 7 de setembro, carregando faixas, o que descaracteriza as Festas de Agosto, convide alunos à livre participação dos cortejos de príncipes e princesas das três festas ou ao acompanhamento de todo o desfile, até a Igreja, embora respeitosa e afastadamente. Outra maneira correta é convidando Folcloristas ou Historiadores da cidade para proferirem palestras sobre as Festas de Agosto na escola, estimulando a pesquisa e a aprendizagem, e buscando, assim, maior compreensão e entendimento das festas!



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Qualquer espécie de descaracterização das Festas de Agosto, até mesmo a simples mistura de outros santos não nesta data homenageados, contribui, sim, mas para o seu empobrecimento e até mesmo desaparecimento, o que ninguém que ama, entende, realmente apoia e respeita as Festas quer!...  


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É preciso guardar, manter e reverenciar uma tradição cultural tão emocionante, excepcional e especial da cidade, que reúne, tradicionalmente, famílias que conhecem e reconhecem o valor e importância únicos das esplêndidas Festas de Agosto de Montes Claros, com os seus Catopês ou Dançantes, Marujos ou Marujada, Caboclinhos ou Caboclada!...



"Viva o Divino
Meu Santim querido
É os teus milagre
Que tem me valido!..."

"A retirada!
A retirada!
Ê, meus camarada!
Ê, meus camarada!..."

"Adeus, adeus, não chores não
Para o ano eu voltarei
Pra cumprir nova "missão"!"

"Adeus, até para o ano
Adeus, até para o ano
Adeus, até para o ano..."

1960 - ANO DOURADO


* HAROLDO LÍVIO

        
Resumo do Brasil no ano de 1960: Bossa Nova na música popular brasileira; Cinema Novo na tela; e JK inaugurando Brasília. Resumo de Montes Claros no ano de 1960: lançamento da Revista Encontro; inauguração do Cine Fátima; fundação do Conservatório Lorenzo Fernandez; e, lamentavelmente, a perda da Capela do Rosário, relíquia da história da cidade. De um encontro marcado de quatro jovens montes-clarenses, Décio Gonçalves de Queiroz, Waldyr Senna Batista, Enock Fernandes Sacramento e Lúcio Marcos Benquerer, em um escritório de Belo Horizonte, resultou a fundação da mais nova revista brasileira que, obviamente, nasceu com o nome de Revista Encontro. A publicação chegou em junho de 1960 e conquistou a simpatia e a preferência do público desde o primeiro número, cujo conteúdo foi a manipulação perfeita da receita ideal formulada pelo próprio leitor. Montes Claros, que já percorria a grande caminhada para o futuro, foi presenteada pelos editores com uma revista mensal que se tornou motivo de orgulho para todos que militavam na imprensa. Tudo nela, da capa à quarta capa, era moderno, avançado e revolucionário. Tinha redação, composição, paginação e ilustração impecáveis. Dava-se ao luxo de ter os anúncios comerciais ilustrados pela pena de Konstantin Christoff, um fundador que não pôde comparecer à reunião de fundação, embora tenha sido um verdadeiro patrono da revista. Lúcio Benquerer editou até que sua empresa exigiu dedicação integral aos negócios e foi substituído pelo jornalista Carlos Lindemberg, aí por volta de 1965. Mais tarde, dois anos depois, o novo diretor foi sucedido pelos jornalistas Jorge Silveira e Fernando Zuba. Infelizmente, a crise cíclica que fechou O Cruzeiro, Alterosa, Realidade, Visão e outros magazines de circulação nacional também fulminou a Revista Encontro, que merece ser lembrada nestes cinquenta anos de fundação, pela grande e inegável importância que alcançou em uma década de circulação a serviço da cidade e da região, sempre colocando o serviço público acima de tudo. Encontro fechou mantendo o mesmo conceito que passou a desfrutar desde o primeiro número. Conversando com o mestre Konstantin, ele se queixou de que as pessoas já se esqueceram de nossa revista. Gostaria de ter dito a ele que não é bem assim; porém calei-me, pois é a verdade.
        
O segundo presente para Montes Claros, no ano dadivoso de 1960, foi a inauguração do Cine Fátima, na Rua Dom Pedro II. Poderia ter sido inaugurado na Times Square, na Broadway, em Nova York, porque era a última palavra em conforto para o público e em tecnologia. Quem nos presenteou foi o empresário Euler de Araújo Lafetá que não teve mãos a medir nos gastos de instalação da monumental sala de espetáculos que contava com 1300 poltronas estofadas, ar-condicionado, som estereofônico de quatro faixas e tela flutuante. Foi projetado para os próximos 50 anos, que já passaram e poderia estar funcionando até hoje, na vanguarda. Neste caso, éramos felizes e sabíamos muito bem disso. O terceiro presente, digno de reis, foi a fundação do Conservatório de Música Lorenzo Fernandez, materializado no momento histórico em que o prefeito Simeão Ribeiro Pires, cultor das ciências, letras e artes, entregou à fundadora Marina Lorenzo Fernandez Silva as chaves da casa que a municipalidade desapropriou para funcionamento do novel estabelecimento de ensino. O decurso do tempo confirmou a importância social do evento, impulsionando o desabrochar de vocações que poderiam ter se perdido, se não existisse a sementeira representada pelo CELF, de que a cidade tanto se ufana, por seus cantos e encantos. Como não há rosas sem espinhos, registram-se os 50 anos da derrubada da Capela de Nossa Senhora do Rosário, na Avenida Coronel Prates, por uma decisão administrativa que, desafortunadamente, errou com a intenção de acertar na solução de um problema viário. O templo estaria mal colocado em relação ao alinhamento da via pública e seria preferível sua demolição para construir no local outro com maior visibilidade para o trânsito. Assim foi pensado e executado. E as picaretas e tratores derrubaram as paredes da casa santa onde Deus fez a morada e onde moram o cálix bento e a hóstia consagrada. E onde moram os catopês, marujos e caboclinhos da festa de agosto: Joaquim Poló, Aníbal Carroceiro, Mané Quatrocento, Maria da Custodinha, Miguel Marujo... E onde também moram os mordomos e festeiros Hermes de Paula, Geraldo Athayde, Darcy Ribeiro, Cyro dos Anjos, Raimundo Chaves, Newton Prates... E onde ainda, bem adiante no futuro, deverão morar Ucho Ribeiro, Yuri Popoff, Paulo Narciso, Roy Chaves, Bernardo Brant, Tico Lopes, Zezé Colares, Yara Tupinambá, Tino Gomes, Georgino Júnior, Paulo Henrique Souto, Raquel Mendonça e mais devotos que, de qualquer forma, vêm segurando a tradição de agosto. (11/2011)

* Membro do IHGMC


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

             Festas de Agosto de Montes Claros

A maior manifestação cultural popular da cidade 


  • Raquel Mendonça

“Deus te salve, Casa Santa
Onde Deus fez a morada
Onde mora o Cálix Bento
E a hóstia consagrada.”

Montes Claros, “Cidade da Arte e da Cultura”, tem nas Festas de Agosto, - grande bem cultural imaterial do município -, a sua maior e mais importante manifestação cultural popular e tradicional, com 173 anos de existência e resistência, a encantarem e emocionarem montes-clarenses e visitantes neste tão esperado mês de agosto, que chega com a ventania, a criatividade, a festividade e sabedoria populares.

"Ah! são chegados os doze pares - Bis/Lá da parte do oriente/Vem dando graças ao Divino/Um senhor tão soberano - Bis."

"Lá no céu tem um castelo/ Lá no céu tem um castelo, ah!.../ Quem formou foi o rei da Glória/ Quem formou foi o rei da Glória, ah!!... (...)"

São festas religiosas, parte expressiva e profundamente significativa do catolicismo popular da cidade, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e ao Divino Espírito Santo, que reúnem práticas religiosas, como os levantamentos de mastros, a cargo dos Mordomos; missas e bênçãos; os Catopês ou Dançantes, que são os “donos das Festas de Agosto” e seus belos capacetes enfeitados com penas de ema ou pavão (que hoje não se restringem mais a ornarem somente os capacete dos chefes de Catopês, o que lhes dava uma distinção especial), espelhos, aljôfar e fitas coloridas, esvoaçando ao sabor dos sonoros ventos de agosto; os Marujos ou Marujada e os Caboclinhos ou Caboclada, bem como os grandiosos Reinados de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, - reminiscências das festas de Chico Rei em Ouro Preto - e o Império do Divino Espírito Santo, com seus Reis/Rainhas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, Imperador/Imperatriz do Divino, filhos, - conforme reza e prega a tradição das Festas de quase duzentos anos -, de famílias da cidade sorteadas um ano antes e longo cortejo de príncipes e princesas, a maioria deles convidada pelas Famílias Festeiras, embora aberto à livre participação de crianças da comunidade, cortejo este organizado pelos Festeiros, que decoram os andores e em quadro formado por quatro bastões de mais ou menos três metros, enfeitados de papéis de cores, são agrupados o Rei e a Rainha ou o Imperador e a Imperatriz, os pajens e o 1º príncipe e a 1ª princesa, sob belo Pálio, com o séquito acompanhado pela Banda de Música do 10º Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais, que em muito abrilhanta o evento cultural tradicional anualmente. Apoia a formação do cortejo a Equipe de Eventos da Secretaria Municipal de Cultura, coordenada pela competente Marilene Mourão. Na Secretaria Municipal de Cultura, o experiente nome de João Hamilton Tolentino Trindade, pela terceira vez à frente da pasta.

No comando das Festas de Agosto, o grande nome de João Pimenta dos Santos, o popular “Mestre Zanza”, do alto de seus 79 anos de idade (“Catopê de Colo” e príncipe do Reinado de Nossa Senhora do Rosário desde os quatro anos, tradição de pai, João Pacífico Pimenta Filho, para o filho, herdada também de seu pai, João Pacífico Pimenta, avô de Mestre Zanza), presidente da importante Associação dos Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos de Montes Claros, localizada na Rua Humaitá, nº 126, com Santa Efigênia (Bairro Morrinho – Telefone de Contato: (38) 3212.5277), que realiza as Festas, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura/Prefeitura de Montes Claros, que promove, paralelamente às Festas de Agosto, o Festival Folclórico de Montes Claros, em sua 34ª edição, com vasta programação folclórica, contendo espetáculos de música e dança populares, e espaços para barraquinhas de comidas típicas, onde se destaca o famoso “Arroz com Pequi – símbolo do cerrado norte-mineiro – e Carne de Sol”. Compete à Secretaria de Cultura ainda, através da Equipe de Decoração, encher as ruas e praças centrais da cidade, por onde passam os Reinados e Império, grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos, com belas “saias de fitas coloridas”, flores em papel crepom e réplica ornamental de instrumentos musicais utilizados pelos grupos, como pandeiro, tamborim ou caixa.
Além do Mestre Zanza, Chefe do 1º Grupo de Catopês de Nossa Senhora do Rosário, há ainda outros chefes de mais cinco grupos: João Batista Faria, Mestre João Faria, Chefe do 2º Grupo de Catopês de Nossa Senhora do Rosário (da comunidade do Bairro Camilo Prates e adjacências); José Expedito Cardoso do Nascimento, Mestre Zé Expedito, chefe do Grupo de Catopês de São Benedito (da comunidade do Bairro Renascença); Iderielton Oliveira da Cruz, Mestre Tim, da comunidade da Vila Ipiranga, chefe da 1ª Marujada de Montes Claros; Antônio Ferreira, Mestre Tone Cachoeira, chefe da 2ª Marujada de Montes Claros, em substituição ao saudoso Mestre Miguel Marujo; Maria do Socorro Pereira Domingos, a Cacicona Socorro, chefe do Grupo de Caboclinhos ou Caboclada, ligados ao Divino Espírito Santo, como a Marujada. Os membros da Caboclada residem nos Bairros Santa Cecília e Tancredo Neves. O Catopê é o mesmo zumbi ou congado/congada de outros lugares, com belas e ricas características regionais; os Marujos exaltam os feitos dos marinheiros portugueses e os princípios cristãos da religião católica e os Caboclinhos são uma folgança de reminiscência indígena.

"Sou caboco, caboquinho/E não brinco com ninguém/Quando eu pego a minha flecha/Flecho-flecho muito bem (...)."/// "Sou cacique, caciquinho/Senhor lá da mataria/Entre arcos e entre flechas/Tenho muita fidalguia."
"São Benedito/Como sua casa cheira/É de cravo, é de rosa/É fulô de laranjeira..."

Neste ano de 2012, as Festas de Agosto têm início no dia 15 (quarta-feira), às 20h30, em frente à Igrejinha do Rosário, com o Levantamento do Mastro de Nossa Senhora do Rosário; no dia 16 (quinta-feira), a partir das 09h00, o Reinado de Nossa Senhora do Rosário sai da Praça Dr. João Alves (Automóvel Clube), percorre ruas e Praça centrais da cidade (Dom João Pimenta, Camilo Prates, Praça Dr. Carlos, Rua Governador Valadares) até a Igrejinha do Rosário, na Praça Portugal; na noite do dia 16, o Levantamento do Mastro de São Benedito; na manhã do dia 17 (sexta-feira), realiza-se o Reinado de São Benedito; na noite do dia 17, o Levantamento do Mastro do Divino Espírito Santo; na manhã do dia 18 (sábado), a última e grande Festa, que é o Império do Divino Espírito Santo. No dia 19 (domingo), acontece a Procissão de Encerramento, com Reinados, Império e Grupos de Catopês, Marujos e Caboclinhos, bem como os grupos de Congado convidados para o Encontro Mineiro de Ternos de Congado, que, anualmente, se realiza na sede da Associação dos Catopês, a partir das 08h00 de domingo, com a procissão saindo da Praça Dr. Chaves ou da Matriz (em frente ao Centro Cultural Hermes de Paula), às 15h00, em direção à Igrejinha do Rosário.
Após Reinados e Império, as Famílias Festeiras oferecem grande e festivo Almoço aos grupos de catopês, marujos e caboclinhos, familiares e convidados, em locais por elas definidos, com a Equipe de Eventos da Secretaria de Cultura ajudando a organizar os grupos e lhes servir.

"Vamos ver a barca nova (Bis)/Ai! que do céu caiu no mar (Bis)/Nossa Senhora vai dentro/E os anjinhos a remar."
Canta o patrão da marujada: "Viemos do mar, saltamos em terra/A Virgem Senhora viemos louvar.!..."

A riqueza do folclore ou cultura popular de Montes Claros é imensa e infinitamente diversificada, mas nada como as Festas de Agosto ou a Festa dos Catopês para mexer profundo com a alma do povo montes-clarense e norte-mineiro, na verdade, com a alma do povo mineiro, do povo brasileiro e visitantes do exterior...
Como clama, profere em alta e vibrante, contagiante voz, com toda força, ênfase, fé, devoção e emoção o muito querido Padre João Batista Lopes, o para sempre "Padre dos Catopês":

Viva Nossa Senhora do Rosário!
Viva São Benedito!
Viva o Divino Espírito Santo!!...


* Promotora Cultural, Chefe da Divisão de Preservação e Promoção do Patrimônio Cultural de Montes Claros/Secretaria Municipal de Cultura/Prefeitura de Montes Claros, poetisa, cronista, membro da Academia Montesclarense de Letras, ACLECIA e IHGMC

terça-feira, 17 de abril de 2012

- Projeto de Documentário aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura -

 “Zé Côco - Beethoven do Riachão”

-  A memória de um dos maiores artistas da autêntica cultura popular 

- Um filme registro documental de Andréa Martins

Realização:
Cinema Comentado Cineclube
Fulô Comunicação e Cultura

Contatos:
Fabíola Versiani
(38)3223-4543/8433-9545
fabiola@fulocom.com

Andréa Martins
(38) 3221-6253/9191-0013
andréa.martins@unimontes.br

O Produto - 

Este projeto propõe a realização de um vídeo-documentário de 60 minutos, em 33 mm, sobre a trajetória de vida e a obra do norte mineiro Zé Côco do Riachão, um dos maiores nomes da cultura popular brasileira, músico autodidata de indiscutível talento. O documentário contará com imagens inéditas, registradas em 1997, quando o Mestre Zé Côco atendeu pela primeira vez ao apelo da professora e roteirista Andréa Martins, que assinará a direção do filme, de voltar ao Riachão e se deixar filmar no reencontro com pessoas e lugares que fizeram parte de sua história. Dez meses depois, ele falecia na cidade de Montes Claros, norte de Minas Gerais. Importante ressaltar que o documentário contará com imagens exclusivas, pois o artista não se dispôs a se deixar filmar no Riachão nem mesmo quando a Rede Globo o convidou para acompanhar a produção de um programa especial para o Globo Rural. Imagens de arquivo de diferentes momentos do artista também serão utilizadas, assim como novas entrevistas a serem captadas.

A História 

José “dos Reis” Barbosa dos Santos nasceu em janeiro de 1912, no município de Brasília de Minas (MG), doente, com poucas chances de sobreviver. Em promessa, sua mãe, simbolicamente, ofereceu-o aos “Santos Reis”, para que “escapasse”. E assim se fez. Agradecido e crente, Zé Côco manteve uma relação com a folia de reis que durou toda uma existência, e ele tinha orgulho de dizer: “eu posso caba cum tudo na vida, mas de toca rebeca na fulia, eu num paro. Nunca, nunca!”

Ao que parece, a intervenção divina não apenas salvou a vida do menino doente, mas também o transformou em um artista de múltiplos talentos. Zé Côco nunca soube ler, nem sequer escrever o próprio nome – sua “assinatura” era um tosco coqueiro – e, naturalmente, jamais teve acesso a teorias musicais. Apesar disso se transformou em um músico e compositor reconhecido em todo o país e também fora dele. Filho de um “tocador” e “fazedor” de viola, conforme ele mesmo se definia, Zé Côco conta que aos oito anos se apossou, escondido, de uma viola de seu pai, e tocou com desenvoltura, aponto de ganhar de presente um exemplar desse instrumento. E daí não parou mais e nem se satisfez: dominou a rebeca, o violão, a sanfona, o cavaquinho e, paralelamente, também desenvolvia a arte de fabricar e consertar instrumentos musicais. Zé do Côco do Riachão foi mesmo um “artesão de sons”, conforme o definiu o jornalista João Edwar em livro sobre o artista. Desde muito cedo, o artesão aprendeu a trabalhar a madeira, construindo cancelas, carros-de-boi, roda de ralar mandioca, entre outros instrumentos de trabalho que, naquela época, ainda eram indispensáveis ao trabalho do sertanejo norte-mineiro. Como músico, chegou a ser internacionalmente conhecido, embora sempre por uma seleta platéia. De uma TV alemã, recebeu a denominação de “Beethoven do Sertão”, título que ele ostentou com orgulho, pois lhe disseram que o artista ao qual foi comparado (Beethoven), também era dos bons.

Durante 68 anos, Zé Côco viveu praticamente no anonimato. Foi em meados de 1980, já residindo em Montes Claros, que ele foi “descoberto” por Téo Azevedo, vindo gravar dois LPs. A crítica especializada foi unânime em considerar o violeiro e seu trabalho um verdadeiro achado em benefício de nossa cultura popular. Novamente longe da mídia, apenas seis anos depois, Zé Côco voltou ao estúdio para gravar Vôo das Garças, seu último LP, que foi masterizado em 1997.

Fenômeno da cultura popular, Zé Côco dominava uma técnica de execução rara que lhe permitia fazer solos e acompanhamentos ao mesmo tempo. Compôs em vários gêneros musicais, revelando o seu talento genuíno. Deixou gravados os LPs “Brasil Puro” (1980, Rodeio/WEA), “Zé Côco do Riachão” (1981, Rodeio/WEA), “Vôo das Garças” (1987/1997, Lapa Cia de Ação Cultural).

Objetivo -

O objetivo principal deste projeto é tornar viva a memória de um dos maiores artistas da autêntica cultura popular, apresentando-o às novas gerações e valorizando, assim, a cultura regional que, afinal, é parte da diversidade cultural brasileira.

Justificativa - 

A história de vida do mestre Zé Côco do Riachão, sua criatividade, marcada pela simplicidade e, ao mesmo tempo, pela beleza maestral das suas composições, funde-se à história do próprio sertão, que são muitos, como disse Guimarães Rosa. Por outro lado, sabe-se que o filme documentário representa uma ferramenta sedutora e, portanto, eficiente na transmissão do conhecimento e formação da consciência crítica. Assim, pretende-se, através dos recursos audiovisuais, difundir a memória de um mestre da cultura popular brasileira, que, no fervor de sua fé e do talento de suas mãos, fez nascer instrumentos e melodias capazes de encantar o mundo.

No ano em que se comemora o centenário de nascimento de Zé Côco do Riachão, não há melhor justificativa para o investimento neste projeto do que entende-lo como pagamento de uma dívida que todos nós temos para com um artista que é um dos maiores orgulhos desse sertão norte-mineiro, um milagre ao qual temos de nos render, uma prova de que é possível brotar da aridez do solo e da tortuosidade do cerrado, jóias de raro valor cultural e artístico, como Zé Côco do Riachão.

Público-alvo - 

O projeto pretende abranger todas as camadas da população, uma vez que a cultura popular é um bem acessível a todas as idades e níveis sociais e culturais.



Plano de distribuição

Quanto ao filme - 

· Lançamento do filme em Brasília de Minas, Mirabela e Montes Claros, municípios onde o artista fez sua história.
· Participação em mostras e festivais de cinema e vídeo, nacionais e internacionais.
· Exibições públicas em cineclubes e escolas.

Quanto às cópias em DVD - 

· 10% das cópias serão distribuídas gratuitamente, para escolas, bibliotecas e outras instituições de interesse histórico e cultural, no Norte de Minas e outras partes do Estado de Minas Gerais e do País.
· 03 (três) cópias serão destinadas à diretoria da Filme Minas das SEC
· As demais serão disponibilizadas para venda, ao preço aproximado de R$ 15,00, durante as exibições públicas do filme, sendo que o valor arrecadado será, em parte, destinado a reinvestimento no próprio filme: distribuição, envio para festivais e mostras etc.

Retorno Institucional -

A empresa parceira do cocumentário "Zé Côco – Beethoven do Riachão” terá como retorno de seu investimento os seguintes itens:

·  Inserção da logomarca da empresa em 1.000 (hum mil) cartazes do filme, na condição de patrocinadora;

·  Inserção da logomarca da empresa nos créditos do filme, na condição de patrocinadora;

·  Inserção da logomarca da empresa nos encartes do DVD do filme, na condição de patrocinadora;

·  Citação da parceria em todos os releases a serem enviados à imprensa;

·  Inserção da logomarca e citação da parceria em todos os anúncios veiculados na mídia impressa;

· Inserção da logomarca da empresa no site oficial do filme na condição de patrocinadora.


Investimento -

O investimento para a realização do documentário “Zé Côco – Beethoven do Riachão” será de 200.000,00 (duzentos mil reais).

Este projeto encontra-se aprovado na Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o que permite à empresa patrocinadora deduzir o valor do Imposto sobre Circulação e Serviço de qualquer Natureza – ICMS, em até 80%do investimento.


EMPRESAS EM GERAL: 

PARTICIPEM
COLABOREM! 

COMEMOREM O CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE UM DOS MAIORES ARTISTAS POPULARES DE TODOS OS TEMPOS DO PAÍS E DO MUNDO: 
ZÉ CÔCO DO RIACHÃO - O BEETHOVEN DO SERTÃO!...   


segunda-feira, 16 de abril de 2012

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE JOSÉ BARBOSA DOS SANTOS - ZÉ CÔCO DO RIACHÃO - 1912/2012

CRÔNICA INÉDITA (DE 1994) 


E AGORA, SEU ZÉ?

Raquel Mendonça*


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Ele mora ainda ali mesmo, na Rua Bárium, 291-A, Bairro de Lourdes, ao lado de casa onde reside a única filha, Luiza, protetora e espécie de empresária.

Com a mesma simplicidade e sabedoria de sempre, chapéu na cabeça e um “causo” antigo na ponta da língua, está sempre à disposição para contar, com o autêntico linguajar sertanejo, a quem ou quantos o vão visitar, daqui e alhures, de inúmeras partes do país e do mundo, centros avançados ou não.

O sorriso largo ficou meio triste, vezes sombrio, no rosto abatido pela recente doença (embolia cerebral), mas ele parece guardar muita esperança de completa recuperação, longos anos de vida e obra, como gravar um “CD”, com ajuda, diz, do Vereador Eduardo Avelino, autor do projeto que lhe outorgou o justo título de “Cidadão Benemérito de Montes Claros”; fazer mais shows especiais sertão adentro, Brasil afora, além de muita rebeca, viola, violão e cavaquinho, como “luthier” que é, e um verdadeiro “Stradivarius” norte-mineiro!...

“Seu” Zé Côco toca divinamente instrumentos musicais por ele mesmo fabricados, com cuidado e perfeição admirados no país e exterior, de modo especial a viola e a rabeca (ou rebeca), o violino rústico, Mestre que é em ambos – conhecido como “Mestre da Rebeca e da Viola” -, executando como ninguém músicas de Folias de Reis (é Folião desde menino, sua verdadeira “Profissão de Fé”, pois foi dado de presente pelos pais aos Reis Magos ao nascer, no dia 06 de janeiro de 1912...), toadas, calangos, valsas caipiras e velhos lundus à (moda de) viola que parece mágica, em suas mãos, como se vários instrumentos fosse ao mesmo tempo!...

Considerado por cadeia de TV alemã “O Beethoven do Sertão” pela excepcional qualidade e beleza de suas composições musicais, que aprendeu acompanhando as “Folias de Reis” de sua terra natal, o “Riachão”, município de Mirabela, no Norte de Minas Gerais, bem como o som incomparável dos pássaros, a voz singular dos bichos e, como sempre destaca, “o barulho – lindo e melódico murmúrio – cantante das águas puras do seu “Riachão”, perto do qual nasceu; as inúmeras canções populares e caipiras ouvidas e sentidas, desde menino, em casa, tocadas e cantadas por seu pai; a tradição de manifestações puras e legítimas do povo do grande sertão norte-mineiro que amou e acompanhou, desde sempre...

Tem três Lps gravados: “Brasil Puro” (1980), “Zé Côco do Riachão” (1981) e “Vôo das Garças” (1987), além de centenas de músicas inéditas.

Estudado em grandes universidades do mundo, como nos Estados Unidos e Suécia, como verdadeiro fenômeno musical, e tendo despertado o interesse da UFMG há alguns anos no sentido de se realizar um filme-vídeo sobre ele e sua vasta vida e obra, continua, com a mesma simplicidade – e genialidade – de sempre, desenhando o próprio nome (um “J” de José e um coqueirinho, mesmo, simbolizando o Côco do próprio nome), pois nunca estudou, nunca “frequentou” bancos de escola, e compondo, como grande gênio musical que é, (“aprendi a tocar tocando, vendo o meu pai tocar e o Riachão “barulhando” lá embaixo, que era puro encantamento para mim...”), em estilo considerado por grandes críticos do país e do mundo como “sertanejo-erudito”, músicas de beleza excepcional, extraordinária, às de um Beethoven comparadas!

Nenhum compositor popular pôde se alimentar tão farta e generosamente, como ele, do profundamente melódico, suave e doce cheiro dos Gerais, conferindo-lhe o carimbo da brasilidade e autenticidade mais caros e legítimos! E não são poucos os sonhos – muitos sonhos bons e bonitos! - que, aos 82 anos de idade, ainda sonha, e apesar dos sérios problemas de saúde.

Mas a verdade é que o Brasil tem mania de não amar e valorizar o que é verdadeiramente seu (somente seu!), como a música que corre genuinamente na alma, sangue e inspiração incomum de sua gente!

E agora, “Seu” Zé? Não, a festa de ouvi-lo tocar “Dia dos Pais”, “Não me deixe só”, “Saudades do Riachão”, Vôo das Garças” e tantas obras musicais primorosas, que sempre nos despertam a emoção mais profunda, e mesmo o choro, não acabou e não acabará tão cedo!

Com toda fé nos Santos Reis, aos quais pertence!

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Que eles o protejam, “Seu” Zé!...

                                                     ---

Crônica de 1994, encaminhada à UNIMONTES.

“Seu” Zé Côco do Riachão faleceu em 13 de setembro de 1998 e, neste ano, 2012, é comemorado o seu “Centenário de Nascimento”. A Prefeitura de Montes Claros, através da Secretaria Municipal de Cultura, estará realizando grande evento comemorativo do Centenário de seu Nascimento, em 13 de setembro, “O Vôo do Mestre”, projeto definido pelo então Secretário Municipal de Cultura, Ildeu de Jesus Lopes (Ildeu Braúna) e pelo Produtor Cultural Augusto Gonzaga.


sábado, 14 de abril de 2012

Reflexão:

" A simplicidade é o último grau de sofisticação.."
                                                - Leonardo da Vinci. -

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